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Máximo Kirchner em Paraná: pede candidatura de Cristina e critica "timidez" do PJ

13/06/2026 15:10 - Politica

Político argentino hablando en un estrado con banderas peronistas y cartel de Cristina Libre de fondo en un salón gremial lleno de personas

Contexto para brasileiros: quem é quem na política argentina

Máximo Kirchner é filho de Cristina Fernández de Kirchner e do falecido ex-presidente Néstor Kirchner. É deputado nacional e líder da La Cámpora, organização política juvenil do kirchnerismo. O kirchnerismo é a ala mais à esquerda do peronismo (o movimento político criado por Juan Perón nos anos 1940).

Cristina Fernández de Kirchner foi presidente da Argentina (2007-2015) e vice-presidente (2019-2023). Em dezembro de 2024, foi condenada a prisão domiciliar por supostas irregularidades em obras públicas durante seu governo. O caso é altamente controverso e seus apoiadores denunciam perseguição política.

Ato com consigna clara: "Cristina Libre"

Máximo Kirchner visitou Paraná (capital da província de Entre Ríos) em 12 de junho de 2025 e liderou um ato no salão Germán Abdala da sede do ATE (Associação de Trabalhadores do Estado), situado na rua Colón. A convocação reuniu militantes, dirigentes políticos, sindicais e organizações sociais sob uma consigna unificadora: a liberdade de Cristina Fernández de Kirchner.

O deputado nacional chegou a Entre Ríos como parte de uma gira que iniciou em abril em Santa Fe e prevê se estender a diferentes pontos do país. Segundo fontes próximas à organização, Wado de Pedro (ministro do Interior durante o governo de Alberto Fernández) participará das próximas apresentações.

O auditório contou com a presença de referências do kirchnerismo local: Tomás Ledesma (ex-deputado e dirigente da La Cámpora), Blanca Osuna (deputada), Carolina Gaillard, Marcelo Casaretto e Mayda Cresto. Stefanía Cora, ex-senadora e companheira de fórmula de Ledesma, não participou do evento.

As críticas ao rumo econômico

O discurso de Máximo Kirchner teve forte conteúdo econômico. Questionou as políticas do governo nacional (de Javier Milei) e advertiu sobre as consequências sociais derivadas da crise.

"Estamos convencidos que é preciso percorrer nosso país. Está sendo muito afetado por estas políticas econômicas e o estão sofrendo as famílias argentinas cada vez mais", expressou diante dos presentes.

O dirigente de Unión por la Patria (coalizão política opositora) sustentou que "se isso continuar assim, a qualidade de vida dos argentinos vai ser cada vez pior" e mencionou indicadores preocupantes vinculados à saúde mental e à deterioração das condições de vida.

Sobre a dívida externa, Kirchner assinalou: "Se não se reestrutura a dívida externa argentina, é muito difícil que nossos hospitais, que nossas escolas, que nossas universidades possam ter os recursos necessários".

"Não há sobrenomes milagrosos"

As referências ao sobrenome Kirchner foram constantes durante o ato. Tomás Ledesma recordou visitas históricas de Néstor Kirchner e Cristina Fernández a Paraná, respaldadas por um vídeo que foi exibido antes das intervenções.

Máximo Kirchner respondeu: "Tomi, eu te agradeço o do sobrenome mas já faz dez anos disse que não há sobrenomes milagrosos". Acrescentou que "uma pessoa só com o sobrenome não pode, porque não foi Cristina só, foi um povo que se alinhou atrás de sua presidente porque sabia que não ia deixá-la abandonada nem a trair".

O líder da La Cámpora convocou a "uma nova pátria" e pediu acompanhamento: "Ninguém vai poder só". Desde Entre Ríos, "berço federalista da Argentina", convocou a "dar a luta para virar a mesa no país".

A defesa de Cristina e o debate interno

O fechamento do discurso foi dedicado à ex-presidente. "Nós reivindicamos e a queremos a Cristina caminhando junto a seu povo", disparou Kirchner diante de uma militância que explodiu em gritos.

Assegurou que Cristina Fernández de Kirchner quer voltar à política ativa: "Cristina morre de vontade de estar junto a sua gente, de abraçá-los e de defendê-los". Destacou que "não fizeram ela dizer nada contra sua gente" e que "tampouco nunca tomou uma decisão contra seu povo".

Sobre a interna peronista, Kirchner sustentou que "o peronismo não está em condições de proscrever ninguém", embora sim de dar debates. "Isso não é coisa de tímidos", afirmou, em sintonia com sua crítica a um peronismo que "se tornou muito tímido".

Referências locais e contexto emocional

Kirchner fez menção especial ao Indio Solari, lendário músico argentino, líder dos Redonditos de Ricota. Indio Solari nasceu em Paraná e é um ícone cultural argentino. "Me toca vir à casa de um amigo que se foi", disse visivelmente emocionado.

Também questionou o governador de Entre Ríos, Rogelio Frigerio, por "viver em Buenos Aires", em uma alusão ao debate sobre a residência dos mandatários provinciais.

Sobre a reforma previdenciária na província, indicou que existem medidas que complicam a situação de trabalhadores e aposentados: "Se coloca tudo muito mais íngreme para a gente e muito mais fácil e simples para os grandes interesses das corporações internacionais de mineração e petróleo".

Contexto político explicado

O que é o PJ? O Partido Justicialista (PJ) é o partido político fundado por Juan Perón. "Tibieza" (timidez) refere-se à postura moderada de setores do peronismo que buscam evitar confrontos com o governo de Milei.

O que significa "proscribir"? No contexto político argentino, significa impedir que alguém participe de eleições ou da vida política. Kirchner defende que todos os setores devem poder competir.

Uma "pátria"? Kirchner usou o termo "patriada", que remete às lutas pela independência hispanoamericana, convocando a uma mobilização política massiva.

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