16/06/2026 15:37 - Politica
Reunión de gabinete gubernamental tensa, funcionarios alrededor de una mesa con documentos, ambiente serio con preocupación visible, iluminación dramática de estudio
O Chefe de Gabinete Manuel Adorni atravessa uma das semanas mais complicadas de sua gestão, enfrentando uma possível moção de censura na Câmara dos Deputados argentina enquanto recebe apoios seletos dentro do oficialismo e mantém o apoio firme do presidente Javier Milei.
Na Argentina, o Chefe de Gabinete é um cargo de alta hierarquia, similar ao papel de um ministro-chefe ou coordenador do governo, responsável por articular as diferentes pastas ministeriais. Uma moção de censura é um mecanismo parlamentar que permite ao Congresso destituir um funcionário por má conduta ou irregularidades.
Segundo informação publicada por El Día, o patrimônio de Adorni passou de $20 milhões para $944 milhões de pesos argentinos, o que representa um incremento de 775%. Diante dos questionamentos, o funcionário admitiu a omissão de USD 500.000 em suas declarações juradas (declaração de bens obrigatória para funcionários públicos), situação que está sendo investigada pelo juiz Ariel Lijo.
Adorni atribuiu o crescimento patrimonial a um investimento em Bitcoin realizado em 2013. No entanto, a explicação não conseguiu acalmar as críticas da oposição nem de alguns setores do próprio governo.
Lilia Lemoine é uma deputada do partido gobernista (La Libertad Avanza) conhecida por sua lealdade ao governo de Milei. Sua defesa pública de Adorni soma-se às poucas vozes oficialistas que se pronunciaram sobre o caso. Por sua parte, Javier Milei voltou a respaldar seu Chefe de Gabinete com uma mensagem contundente: "Se há nem que seja 1% de possibilidade, luta ao 100%".
No entanto, outras figuras do oficialismo mantêm distância. Patricia Bullrich, ministra de Segurança e líder do PRO (partido de centro-direita aliado ao governo), questionou o funcionário. Segundo algumas versões, Karina Milei (irmã do presidente e figura influente no governo) teria se distanciado da situação. O governo suspendeu as reuniões de gabinete e a mesa política esta semana, gerando especulações sobre tensões internas.
A oposição conseguiu reunir 120 assinaturas para a moção de censura, necessitando 129 votos para proceder. A sessão está programada para 23 de junho de 2026. No Senado, estima-se que poderiam alcançar uns 45 votos dos 32 necessários para os dois terços requeridos.
O bloco do PRO e a UCR (União Cívica Radical, partido de centro-esquerda) teriam soltado seu apoio ao funcionário, complicando ainda mais sua situação política.
Paradoxalmente, o escândalo ocorre em um momento de bonança econômica para o governo:
425 pontos básicos
Mínimo desde abril 2018B-
Melhora na calificação creditíciaO presidente Milei tem uma agenda internacional intensa:
Enquanto isso, o governo publicou no Boletim Oficial 15 nomeações judiciais após a aprovação de listas no Senado em 4 de junho de 2026, incluindo 11 para o Poder Judicial e 4 para o Ministério Público.
No meio da crise política, o BCRA (Banco Central da República Argentina) flexibilizou os créditos em dólares mediante a Comunicação A 8446/2026. Além disso, o Decreto 467/2026 modificou o sistema de designação de juízes da Corte Suprema, eliminando as impugnações cidadãs que estabelecia o Decreto 222/03 da era kirchnerista (governos de Néstor e Cristina Kirchner, 2003-2015).
Fuente: El Día - https://www.eldia.com/politica/lilia-lemoine-defendio-manuel-adorni-mientras-oposicion-acumula-firmas-censura-2026616158
Alfredo S. Quiroga