16/06/2026 18:20 - Politica
Reunión de legisladores en el Congreso de la Nación Argentina con ambiente tenso, un palacio legislativo neoclásico de fondo, escritorio con documentos y micrófonos, iluminación dramática
A entrevista que Manuel Adorni concedeu na semana passada foi um ponto de virada no Congresso argentino. O Chefe de Gabinete reconheceu ter omitido USD 500.000 em sua declaração jurada (equivalente à declaração de Imposto de Renda brasileira, mas com exposição pública de patrimônio), explicando que o dinheiro vinha de uma herança encontrada na casa de seu falecido pai e de investimentos em Bitcoin. Essa declaração evidenciou contradições com o que foi dito anteriormente na Câmara dos Deputados, onde afirmou que "não houve ocultação".
A oposição reativou a moção de censura na Câmara. Eles precisam de 129 assinaturas para o quorum e ainda não têm esse número garantido. Além disso, como o projeto não tem parecer da comissão, precisam de dois terços da Câmara para permitir sua tramitação "sobre tablas" (tramitação urgente, diretamente em plenário).
A sessão está marcada para 23 de junho. O objetivo é encaminhar o tema às comissões para que elaborem pareceres e depois convocar uma nova sessão para a votação.
O peronismo (principal força política de oposição, similar a uma coalizão de centro-esquerda) apresentou um projeto espelho no Senado. Lá, eles têm vantagens: o governo (oficialismo) planejava sessões para esta quinta-feira, 19 de junho, para tratar do projeto de inviolabilidade da propriedade pública, o que já resolveria a questão do quorum.
Patricia Bullrich, Ministra da Segurança e líder política do PRO (partido de centro-direita aliado de Milei), preside a bancada libertária na Câmara Alta. Após a entrevista de Adorni, Bullrich sinalizou: "Isso é mais do que um erro, é uma omissão ética. E nosso Governo tem a moral como política de Estado". Ela também exigiu que Adorni apresentasse imediatamente sua declaração jurada.
Na Argentina, o Chefe de Gabinete é um figura única (similar a um Primeiro-Ministro misto com um Chefe da Casa Civil), que pode ser censurado e removido diretamente pelo Congresso, algo que não ocorre no Brasil com ministros de Estado. Se Bullrich abrir o plenário na quinta-feira, o peronismo tentará somar os dois terços necessários. Olham para o Movere Santa Cruz (2 senadores), Convicción Federal e a senadora cordobesa Alejandra Vigo. O comunicado dos legisladores cordobeses foi contundente: "Manuel Adorni não pode continuar sendo Chefe de Gabinete. O governo nacional não pode sustentar a mentira nem por mais um dia".
O PRO (Proposta Republicana) e a UCR (União Cívica Radical, partido centenário similar ao MDB brasileiro em tradição) somam 13 senadores e são decisivos. No entanto, dentro de ambos os blocos há posições divididas: alguns preferem que Milei (o Presidente) tome a decisão, outros temem que o governo se vitimize e denuncie um "golpe".
"Eles têm que expulsá-lo. Não vamos dar a oportunidade de nos acusarem de querer um golpe."
O juiz Ariel Lijo investiga Adorni por presunto enriquecimento ilícito. Seu patrimônio passou de $20 milhões a $944 milhões de pesos (+775%). O funcionário admitiu a omissão de USD 500.000 e atribuiu o incremento a investimentos em Bitcoin desde 2013.
A pressão social também cresce. Oscar Zago (MID) sinalizou que a situação "termina prejudicando os argentinos" e que há críticas "na Europa e nos Estados Unidos".
Na quarta-feira, 18 de junho, às 18h, reúne-se a comissão de Trabalho Parlamentar do Senado. Lá serão definidos os tempos. Se o peronismo conseguir os votos, Adorni poderia ser interpelado e, eventualmente, censurado. Esse cenário enviaria o expediente à Câmara dos Deputados para a decisão final.
2 de julho.
Alfredo S. Quiroga