18/06/2026 12:31 - Politica
Recinto de concejo deliberante con bancas de madera y escudo municipal, iluminación institucional, ambiente tenso
Um episódio de violência institucional chocou a pequena localidade de Pueblo Brugo, na província argentina de Entre Ríos. Um vereador do Partido Justicialista (PJ) agrediu fisicamente o prefeito da mesma cidade, que também pertence à sua força política, durante uma sessão ordinária do Conselho Deliberante (equivalente à Câmara de Vereadores no Brasil).
Na terça-feira, 16 de junho de 2026, o prefeito Martín Ruiz compareceu à sessão para questionar a forma de cobrança de uma taxa de instalação para vendedores ambulantes durante o Festival de Jineteada (competição de laços gaúchos tradicional na Argentina).
A discussão escalou rapidamente. Segundo relatos, o vereador Ariel Lemos, companheiro de partido e teoricamente aliado, desferiu socos na orelha e no crânio do prefeito.
“Na reunião discutiu-se isso e ele interveio com um soco. Eu fiquei e o debate continuou, aprovou-se. Quando vi que estava sangrando, me retirei para ser atendido”, relatou Ruiz ao portal El Entre Ríos.
Para os leitores brasileiros, é importante entender o contexto cultural. A Jineteada Gaucha é um esporte tradicional argentino, muito popular na região dos Pampas e em Entre Ríos. Consiste em provas de habilidade equestre, onde os 'jineteadores' (ginetes) devem montar cavalos broncos (não domados) por determinado tempo. É a equivalente ao laço gaúcho no Brasil. Esses festivais movimentam a economia local, atraindo feirantes (puesteros) e turistas.
A polêmica central girou em torno de uma ordenança aprovada pelo Conselho. O texto estabelecia que os feirantes deveriam pagar a taxa antes das 13 horas da sexta-feira, dentro do horário administrativo municipal.
O prefeito Ruiz opôs-se veementemente à burocracia: “Os feirantes não vão ir um dia antes pagar; pagam no mesmo dia em que se faz a jineteada”. Ele argumentou que ninguém vai à prefeitura apenas para isso, mas sim no momento da instalação no local do evento.
Após a agressão, Ruiz registrou um boletim de ocorrência por lesões e passou por exame médico-legista. “Me duele a parte do olho e vou fazer outro estudo”, detalhou.
Já o vereador Lemos apresentou uma contradenúncia, resultando em um processo judicial travado entre as duas autoridades do mesmo partido, o Partido Justicialista (Peronismo), a força política dominante na Argentina.
O incidente reflete uma tensão crescente. Recentemente, em Villa Gesell, vereadores da oposição também denunciaram agressões físicas dentro do recinto após votarem contra o orçamento.
Ruiz minimizou o episódio, classificando-o como evitável: “Foi uma besteira, uma situação lamentável que não valia a pena”.
Apesar da pancadaria, o Conselho Deliberante continuou a sessão e aprovou a ordenança que autoriza o Executivo a atualizar os valores cobrados dos feirantes do Festival de Jineteada. As investigações policiais continuam para apurar responsabilidades.
Fontes: El Entre Ríos, Elonce
Alfredo S. Quiroga