23/06/2026 18:04 - Politica
A sessão convocada pela oposição na Câmara dos Deputados da Argentina para avançar com a interpelação ao chefe de gabinete, Manuel Adorni, não conseguiu reunir o quórum necessário nesta terça-feira (23/06/2026) e ficou deserta. A iniciativa, impulsionada pelo kirchnerismo (setor opositor), não pôde prosperar devido a uma decisão estratégica dos blocos aliados ao governo de Javier Milei.
Os blocos do PRO, da UCR (União Cívica Radical) e outros espaços provinciais decidiram não comparecer ao plenário como parte de um acordo com o presidente da Câmara, Martín Menem. Embora estes aliados tenham sido críticos em relação a Adorni — quem está sendo investigado por um questionado incremento patrimonial—, optaram por não apoiar uma manobra impulsada pela oposição kirchnerista.
Este pacto permitiu ao oficialismo ('La Libertad Avanza') aliviar a tensão na câmara baixa. Em troca, habilitou-se o debate na comissão de Assuntos Constitucionais a partir da próxima semana, embora ainda falte definir a convocação para a comissão de Petições, Poderes e Regimento. Com esta manobra, o governo ganhou pelo menos duas semanas de tempo.
Embora a interpelação não tenha avançado na Câmara dos Deputados, o foco da tensão permanece na câmara alta. Manuel Adorni já se comprometeu a comparecer no dia 2 de julho perante o Senado para apresentar seu relatório de gestão e responder perguntas sobre seu patrimônio, em meio a uma forte disputa interna dentro do bloco oficialista.
Em paralelo, o próprio Adorni e Karina Milei — secretária geral da Presidência e irmã do presidente — receberam ao meio-dia grupos de senadores do La Libertad Avanza na Casa Rosada (sede do governo). A reunião, que não contou com a presença da chefe de bloco Patricia Bullrich, foi interpretada como uma jogada do 'karinismo' para ganhar influência nas negociações do Senado e blindar o chefe de gabinete.
Na política argentina, é um mecanismo pelo qual o Congresso pode convocar ministros para que expliquem seus atos. Se não comparecerem ou suas explicações não forem satisfatórias, pode-se avançar para uma moção de censura que pode levar à destituição.
Fonte: Infobae
Alfredo S. Quiroga