23/06/2026 22:29 - Economia
O dólar oficial e o dólar blue estão cotizando exatamente no mesmo valor: $1.480 pesos argentinos para a venda. Esta convergência é um fenômeno raro que demonstra uma mudança significativa na dinâmica do mercado financeiro da Argentina. Enquanto isso, o dólar cripto se posiciona ligeiramente acima, atingindo $1.531,02 pesos.
Para entender a importância desta notícia, é preciso conhecer o contexto argentino. O dólar blue é a cotação do dólar no mercado paralelo ou informal da Argentina. Historicamente, este valor era significativamente mais alto que o oficial devido às restrições de acesso a divisas estrangeiras que o governo impunha aos cidadãos.
A existência de múltiplos tipos de câmbio (oficial, blue, turista, MEP, cripto) era uma característica distintiva da economia argentina. O fato de estes dois valores estarem iguais sugere uma normalização do mercado cambial.
| Dólar Oficial (venda) | $1.480 |
| Dólar Blue | $1.480 |
| Dólar Cripto | $1.531,02 |
| Reservas do BCRA | USD 47.508 milhões |
| Risco País | 425 pontos básicos |
| Inflação junho (estimada) | 2,1% |
| Crescimento Q1 2026 | 0,7% |
O Banco Central da República Argentina (BCRA) reduziu significativamente suas compras diárias de moeda estrangeira. Segundo os dados disponíveis, a autoridade monetária passou de uma média de USD 138 milhões diários entre abril e maio para apenas USD 79 milhões diários em junho. No dia 22 de junho de 2026, as compras atingiram um mínimo de USD 50 milhões.
Esta desaceleração pode indicar que o BCRA está satisfeito com o nível atual de reservas, que totalizam USD 47.508 milhões, um valor robusto para os padrões argentinos recentes.
O risco país é um indicador fundamental para investidores internacionais. Ele mede a probabilidade de um Estado não cumprir com suas obrigações financeiras (default). É expresso em pontos básicos sobre a taxa de juros dos títulos de referência (geralmente os títulos do Tesouro dos EUA).
Um nível de 425 pontos básicos significa que a Argentina paga um sobrecusto de 4,25% em suas emissões de dívida. Este é o menor nível desde abril de 2018, o que indica uma melhora substancial na percepção dos investidores sobre a solvência argentina.
A economia argentina cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada principalmente pelo setor energético. A província de Neuquén lidera este crescimento com um incremento extraordinário de 103,5% em suas exportações.
As exportações de Neuquén passaram de USD 1.695 milhões para USD 3.450 milhões, crescimento impulsionado quase exclusivamente por Vaca Muerta.
Vaca Muerta é uma das maiores reservas de gás e petróleo não convencionais do mundo, localizada na Patagônia argentina. Sua exploração tem transformado a matriz energética do país.
Apesar dos indicadores positivos, a morosidade das famílias atingiu 12,1% em abril de 2026, o nível mais alto desde 2004. Este dado significa que 5,3 milhões de pessoas estão com crédito irregular, o que representa um desafio significativo para a recuperação econômica.
O BCRA informou que há uma desaceleração no ritmo de crescimento da mora, o que pode indicar que o pior já passou. Consultores econômicos antecipam uma subida ordenada do tipo de câmbio para o segundo semestre de 2026.
O dólar no atacado (conhecido como dólar majorista) já subiu 3,8% em junho, superando a inflação estimada de 2% mensal. Esta tendência sugere uma correção cambial gradual e controlada, muito diferente das desvalorizações bruscas que caracterizaram a economia argentina em décadas anteriores.
Fontes: Banco Central da República Argentina (BCRA), Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), consultoras privadas.
Alfredo S. Quiroga