26/06/2026 13:15 - Economia
Para entender esta notícia, é importante saber que a Argentina possui múltiplos câmbios. O dólar blue é o câmbio paralelo ou informal, usado por quem precisa comprar dólares fora do sistema bancário oficial. É o valor mais próximo do mercado livre, mas opera na informalidade.
Na Argentina, existe controle de câmbio há anos, o que significa que o governo limita o acesso a dólares oficiais. Por isso, surge este mercado paralelo chamado "blue" (azul, em português), termo originado da expressão "blue chip" do mercado financeiro.
O dólar blue continua sua escalada durante junho de 2026 e já supera os $1.530 pesos argentinos para venda, marcando seu nível mais alto do ano e acumulando uma alta de mais de $100 pesos no mês, o que representa um incremento de 5,2%.
Esta jornada de sexta-feira, 26 de junho de 2026 encontra o mercado cambial em movimento, com todas as cotações mostrando pressão de alta. O dólar blue atingiu níveis que não eram vistos desde o início do ano, impulsionado por uma combinação de fatores locais e internacionais.
Contexto para brasileiros: Para comparar, imagine que no Brasil existisse um dólar paralelo além do oficial. Na Argentina, isso é realidade há décadas, e o blue costuma ter uma diferença significativa em relação ao dólar oficial.
Explicação dos tipos de dólar:
| Tipo de dólar | Preço de venda (pesos argentinos) | Variação |
|---|---|---|
| Dólar Blue | $1.530 | +$100 em junho |
| Dólar Oficial (Banco Nación) | $1.495 | - |
| Dólar Mayorista | $1.479 | - |
| Dólar MEP | $1.505 | - |
| Dólar Contado con Liqui (CCL) | $1.554 | - |
| Dólar Cripto | $1.531 | - |
Economistas e analistas de mercado identificaram três fatores principais que explicam o comportamento do dólar blue nas últimas semanas:
O Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos mantém uma postura restritiva com uma taxa de 3,75%, o que fortalece a moeda norte-americana mundialmente frente às moedas emergentes.
O fim da safra agrícola reduz a entrada de dólares por exportações, diminuindo a oferta de divisas no mercado local. A Argentina é grande exportadora de soja, trigo e milho.
O pagamento do aguinaldo de junho e a demanda por turismo em razão da Copa do Mundo de 2026 aumentam a necessidade de dólares. O aguinaldo é um adicional salarial pago semestralmente, equivalente ao 13º salário brasileiro.
O Banco Central da República Argentina (BCRA), equivalente ao Banco Central do Brasil, modificou sua estratégia de acumulação de reservas. Segundo dados de mercado, o organismo reduziu suas compras diárias de dólares de USD 138 milhões em média entre abril e maio para USD 79 milhões diários em junho.
Esta decisão do BCRA também contribui para uma menor absorção de dólares no mercado formal, o que pode gerar pressões adicionais no segmento paralelo.
As reservas internacionais do país se encontram em aproximadamente USD 47.508 milhões, segundo os últimos dados disponíveis. Reservas internacionais são os ativos em moeda estrangeira que um país mantém para garantir pagamentos internacionais.
O risco país medido pelo JP Morgan subiu para 433 pontos básicos, representando um aumento de 2,9% nas últimas jornadas. Este indicador reflete a percepção dos investidores sobre a solvência econômica do país. O que significa: quanto maior o número, maior o risco percebido pelos investidores de que a Argentina não pague suas dívidas.
Os investidores que entraram desde janeiro de 2026 ainda obtêm ganhos de 12-18% em dólares, enquanto aqueles que entraram durante junho sofreram perdas.
O Bank of America recomenda os Boncer 2026 (TX26) com um carry (rendimento) de 3,3% trimestral como alternativa de investimento. Os Boncer são títulos emitidos pelo governo argentino ajustados pela inflação.
O mercado antecipa que a pressão sobre o dólar blue pode continuar nas próximas semanas, embora se espere um impacto moderado nos preços internos dado que o câmbio oficial permanece relativamente estável.
O diferencial (gap) entre o dólar blue e o oficial se amplia, gerando expectativas sobre possíveis medidas do BCRA para moderar a volatilidade cambial no curto prazo.
Fontes: Infobae, Clarín, dados de mercado de 26/06/2026.
Alfredo S. Quiroga