27/06/2026 12:48 - Tecnologia
Enquanto a Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente, uma ferramenta tecnológica demonstrou seu potencial para salvar vidas. Minutos e até 30 segundos antes dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho de 2026, milhões de usuários de celulares Android receberam um alerta automático do Google avisando sobre um iminente movimento sísmico.
O Android Earthquake Alerts System é uma tecnologia do Google que não prevê terremotos, mas detecta o início de um sismo utilizando os acelerômetros incorporados em milhões de celulares Android. Quando vários dispositivos registram simultaneamente movimentos compatíveis com as ondas P —as primeiras a se propagar e muito menos destrutivas—, enviam essa informação de forma anônima aos servidores do Google.
Os algoritmos analisam os dados em poucos segundos e, se confirmarem que se trata de um terremoto, enviam um alerta aos usuários localizados na zona de risco antes da chegada das ondas S, responsáveis pelas sacudidas mais intensas e destrutivas.
Um dos casos mais comoventes que se viralizou nas redes sociais foi o de um tatuador que estava trabalhando com um cliente quando seu celular começou a soar com um alerta inesperado. O vídeo mostra como o homem interrompe a sessão ao ouvir o som distintivo da notificação de advertência sísmica.
Apenas alguns segundos depois, o terremoto começou a ser sentido dentro do estúdio. Os objetos começaram a se mover enquanto o artista pedia a seu cliente que mantivesse a calma e buscasse refúgio. Esse breve intervalo de tempo foi suficiente para se afastar de zonas perigosas.
O Google implementou este sistema em 2021 e atualmente funciona em 98 países, aproveitando uma rede de mais de 2.000 milhões de dispositivos Android que atuam como uma gigantesca rede de detecção sísmica distribuída. A tecnologia é especialmente útil em regiões onde as redes tradicionais de sismógrafos são limitadas ou insuficientes.
Camila Domínguez Posada, diretora de Android para Hispanoamérica no Google, explicou em exclusiva que o sistema tem dois papéis: os celulares detectores —os mais próximos ao epicentro— e os celulares receptores —que recebem o alerta em zonas de risco—.
"Os detectores são os celulares que estão mais perto do epicentro do terremoto. Esses celulares têm que cumprir certas características para poder detectar que é efetivamente um tremor e não um movimento qualquer", explicou Domínguez Posada.
A função está disponível na maioria dos celulares Android compatíveis e não requer um dispositivo de alta gama. Segundo a diretiva do Google, está disponível desde Android 10 em diante.
Em alguns modelos também pode ser encontrado utilizando o buscador interno de Configuração escrevendo "alerta de terremotos" ou "alerta de sismos".
Um dos aspectos mais importantes que destacou a diretiva do Google é que os alertas sísmicos podem soar mesmo se o celular estiver no modo "Não perturbe". Isso se deve a que existem dois tipos de alertas:
Notificação padrão que informa sobre um evento. Pode não soar se o celular estiver no modo silencioso.
Sempre soa independentemente do modo do celular. Inclui instruções como "proteja-se, meta-se debaixo de uma mesa, proteja-se".
"O celular, após o alarme, oferece informação extra: inclusive há um link que leva a uma tela onde se mostram as recomendações quando há um sismo, o epicentro, onde foi, de quanto foi", acrescentou a porta-voz do Google.
A cobertura do sistema é ampla, mas a recepção do alerta depende de vários fatores:
"Há temas dos celulares e razões pelas quais não soam, mas não necessariamente tem a ver com o quão antigo é o celular porque hoje em dia quase todos os celulares na América Latina estão acima de Android 10 e todos deveriam funcionar", esclareceu Domínguez Posada.
O Google também desenvolveu alertas para outros eventos naturais:
"Tem muito a ver com a quantidade de dados que possamos recolher e a colaboração com as autoridades de cada país", explicou a diretiva.
O sistema de alertas sísmicas do Android representa uma ferramenta gratuita e acessível para milhões de pessoas na região. Seu funcionamento depende principalmente de manter ativas as configurações básicas do celular e conhecer o sinal de alarme distintivo.
Alfredo S. Quiroga