28/06/2026 21:04 - Politica
O presidente Javier Milei confirmou neste domingo 28 de junho de 2026 que Diego Santilli será o novo Chefe de Gabinete de Ministros, substituindo Manuel Adorni, que renunciou na sexta-feira 27 de junho após quatro meses de questionamentos sobre sua situação patrimonial.
O anúncio foi concretizado às 20h00 através de uma publicação na conta oficial de X do Presidente, onde aparece junto com Santilli e a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, na Quinta de Olivos (residencia oficial do presidente argentino).
"Aqui junto com o novo Chefe de Gabinete de Ministros @diegosantilli e a Sec. Geral. da Presidência @KarinaMilei delineando as bases para uma transição ordenada do cargo. A posse será na terça-feira às 16h00."
Na Argentina, o Chefe de Gabinete de Ministros é um cargo similar ao de um primeiro-ministro em sistemas parlamentares. É nomeado pelo presidente e deve coordenar a ação dos diferentes ministérios, além de ser o principal articulador político com o Congresso Nacional e os governadores provinciais.
Santilli se torna o quarto Chefe de Gabinete da gestão Milei desde dezembro de 2023, sucedendo a Guillermo Posse, Guillermo Francos e Manuel Adorni.
Diego Santilli nasceu em 6 de abril de 1967 no bairro portenho de Palermo. É contador público formado na Universidade de Buenos Aires aos 23 anos, com formação complementar nos Estados Unidos e na França.
| Cargo | Período |
|---|---|
| Ministro de Meio Ambiente e Espaço Público (CABA) | 2009-2013 |
| Senador nacional por CABA | 2013-2015 |
| Vice-chefe de Governo de CABA | 2015-2021 |
| Deputado nacional por Província de Buenos Aires | 2021-2025 |
| Ministro do Interior | Nov. 2025 - Jun. 2026 |
CABA: Ciudad Autónoma de Buenos Aires, a capital federal da Argentina, equivalente ao Distrito Federal no Brasil.
PRO: Propuesta Republicana, partido político de centro-direita fundado por Mauricio Macri em 2005. Santilli é um dos líderes históricos desta legenda.
Província de Buenos Aires: A maior e mais populosa província argentina, com cerca de 17 milhões de habitantes. É decisiva em qualquer eleição nacional.
Santilli é casado desde 2014 com Analía Maiorana e tem três filhos: Teo, Nicanor e Tonio. É reconhecido torcedor do River Plate, um dos clubes de futebol mais populares da Argentina.
Nas eleições legislativas de outubro de 2025, Santilli conseguiu uma das viradas mais notáveis da recente história eleitoral bonaerense. A aliança La Libertad Avanza-PRO obteve 41,5% dos votos contra quase 41% de Fuerza Patria, revertendo uma desvantagem de quase 14 pontos que tinha em setembro.
Essa vitória consolidou sua figura como articulador político e negociador, habilidades que agora serão fundamentais em seu novo papel.
Ao contrário de seus antecessores, Santilli assume com consenso interno dentro do oficialismo. Construiu uma sólida relação com Karina Milei durante sua gestão como deputado alinhado com as iniciativas do Governo, e mantém boa sintonia com o assessor presidencial Santiago Caputo.
Esse duplo vínculo sem fricções funcionou como carta de apresentação para sua designação.
Manuel Adorni apresentou sua renúncia na sexta-feira 27 de junho após quatro meses de questionamentos sobre sua situação patrimonial. Sua carta de renúncia, dirigida ao Presidente, foi qualificada por analistas como um texto que "abre mais frentes do que fecha".
Em sua missiva, Adorni denunciou ter sofrido "intermináveis ataques midiáticos" e sustentou que "me trataram como delinquente e corrupto sem um único fato de corrupção sobre minhas costas". No entanto, consultores políticos assinalaram que incluiu menções a situações que não estavam no centro da discussão pública.
O porta-voz presidencial Adrián Ravier, que assumiu em 26 de junho, informou que esta segunda-feira se reunirão as equipes de transição para garantir uma passagem de comando ordenada.
O ex-presidente Mauricio Macri (2007-2015) acompanhou de perto a designação de Santilli e expressou seu respaldo, segundo informaram fontes próximas ao processo.
Santilli provavelmente absorverá o Ministério do Interior em coordenação com Ignacio Devitt, enquanto Karina Milei poderia assumir áreas adicionais. O dirigente do PRO tem pela frente o desafio de articular a agenda legislativa, negociar com governadores e coordenar as áreas do Executivo em uma etapa crucial da gestão.
É o ministério responsável pela relação entre o governo federal e as 23 províncias argentinas, além da Capital Federal. Suas funções incluem a coordenação política com governadores, questões eleitorais e a gestão de assuntos institucionais do Estado.
"Acredito nos projetos coletivos, não nos individuais. Vou deixar tudo para que este Governo continue avançando nas reformas estruturais que a Argentina precisava", escreveu Santilli em suas redes sociais após ser conhecida sua designação.
Alfredo S. Quiroga