29/06/2026 10:55 - Internacionales
Nova Caledônia é um território francês ultramarino localizado no Pacífico Sul, a cerca de 1.500 km da Austrália e 2.000 km da Nova Zelândia. Com aproximadamente 270.000 habitantes, a ilha é rica em níquel — mineral essencial para baterias de carros elétricos — e vive um conflito político entre os indígenas kanak (cerca de 40% da população) e os descendentes de colonos europeus e outros grupos.
Os colégios eleitorais abriram neste domingo, 28 de junho de 2026, para as primeiras eleições provinciais desde 2019. A votação havia sido adiada várias vezes devido ao impasse sobre o futuro político do arquipélago.
A jornada eleitoral acontece sob um aparato de segurança sem precedentes: aproximadamente 2.400 agentes das forças de ordem foram destacados para o território e permanecerão até meados de julho, segundo informou a Agence France-Presse.
Dos 76 eleitos, 54 se tornarão membros do Congresso, a instituição principal que legisla para o território.
O Congresso elegerá depois até 11 membros para o governo colegiado, o poder executivo local que administra a ilha.
A questão independentista segue sendo o eixo central da política local. Os grupos pró-independência, com forte apoio entre a população indígena kanak, rejeitaram o chamado Acordo de Bougival — um pacto com a França que teria criado um estado caldedônio e uma nacionalidade própria, mas eliminando qualquer futuro referendo sobre a independência.
O território já realizou três referendos sobre seu status:
| Ano | Resultado | Observações |
|---|---|---|
| 2018 | Maioria por permanecer na França | Votação participativa |
| 2020 | Maioria por permanecer na França | Votação participativa |
| 2021 | Maioria por permanecer na França | Boicote do movimento independentista |
O terceiro referendo, realizado durante a pandemia de Covid-19, foi boicotado pelos grupos pró-independência, que argumentaram que as condições sanitárias impediam uma votação justa.
As eleições ocorrem mais de dois anos após distúrbios violentos que abalaram Nova Caledônia. Um plano prévio para estender os direitos de voto a milhares de residentes não indígenas de longo prazo provocou confrontos que deixaram:
Mortos
Em prejuízos
De adiamento
Uma lei aprovada em maio de 2026 incorporou aproximadamente 10.575 residentes "nativos" anteriormente excluídos ao cadastro eleitoral, incluindo mais de 4.000 pessoas com "status civil consuetudinário" — categoria que identifica os kanak.
Esta mudança ampliou o número de eleitores habilitados, após anos em que o cadastro esteve congelado sob um acordo histórico de 1998.
O primeiro-ministro francês, Sebastien Lecornu, prometeu que as negociações sobre o futuro do território serão retomadas no próximo mês, com o objetivo de alcançar um acordo antes do fim do ano. Os resultados desta eleição determinarão o equilíbrio de poder em Nova Caledônia e a força com que cada bloco negociará com Paris.
Alfredo S. Quiroga