01/07/2026 18:21 - Judiciales
Nesta quarta-feira 1 de julho de 2026, os irmãos Sergio e Pablo Schoklender retornam aos tribunais de Comodoro Py, em Buenos Aires. O Tribunal Oral Federal 5 (TOF 5) ouvirá a ampliação de sua declaração indagatória no marco do julgamento pelo caso "Sonhos Compartidos". Segundo informou o portal Infobae, a defesa busca desvincular-se das acusações de desvio de fundos públicos que envolvem a cúpula da Fundação Mães da Praça de Maio e ex-funcionários do governo anterior.
O caso investiga o suposto desvio de $206 milhões de pesos argentinos (aproximadamente milhões de dólares na época) que o Estado Nacional havia destinado à construção de habitações sociais entre os anos 2007 e 2013. Junto aos irmãos Schoklender, também solicitaram ampliar suas declarações o ex-subsecretário de Obras Públicas, Abel Fatala, e o financista Daniel Freidin.
Em sua apresentação prévia, Sergio Schoklender rejeitou as imputações e apontou contra a estrutura política da época. Segundo sua declaração, a Fundação Mães da Praça de Maio operava como um "aparato militante do kirchnerismo" por ordem da falecida líder Hebe de Bonafini.
Schoklender sustentou que os recursos recebidos eram utilizados para mobilizar pessoas a eventos políticos e negou ter solicitado redeterminações de preços, uma prática comum nas obras públicas desse período. Afirmou que sua qualidade de vida, longe de melhorar, "deteriorou-se" durante a gestão do programa. Nesta nova instância, espera-se que aprofunde sua defesa e, segundo fontes vinculadas, poderia voltar a apontar funcionários da época.
A etapa testemunhal deixou provas contundentes sobre as irregularidades do programa. As irmãs Irma e Adela Pacheco, representantes da associação civil Esperanza de un Cambio, denunciaram que suas assinaturas foram falsificadas em documentos para justificar ampliações orçamentárias.
Por outro lado, fornecedores como Emiliano Capobianco e Alfredo García relataram como a Fundação pagava com cheques que depois eram rejeitados. García detalhou que recebeu 20 cheques de $5.000 cada um que nunca pôde cobrar. O engenheiro Francisco Guzmán, perito da Corte Suprema, certificou que muitas habitações não reuniam condições mínimas, citando um caso em Bariloche onde uma família carecia de serviços básicos.
Para entender este caso, é necessário conhecer o contexto argentino: as Mães da Praça de Maio são uma organização histórica de direitos humanos formada por mães cujos filhos desapareceram durante a ditadura militar (1976-1983). Sua líder, Hebe de Bonafini, falecida em 2022, era uma figura muito influente no país. O "kirchnerismo" refere-se ao movimento político liderado por Néstor Kirchner (presidente 2003-2007) e Cristina Fernández de Kirchner (presidente 2007-2015), que mantinha uma aliança política com as Mães.
O programa era uma iniciativa da Fundação Mães da Praça de Maio, subsidiada pelo Estado, para construir complexos habitacionais em Buenos Aires, Tigre, Bariloche, Chaco, Santiago del Estero, Misiones e Rosario. A causa penal explode após descobrir-se o uso de notas fiscais falsas, cheques rejeitados e sobrepreços, ficando exposta uma vasta rede de corrupção. A perita contábil María Eleonora Feser destacou a falta de respaldo documental nos registros da fundação.
Próximos passos: Uma vez finalizadas as indagatórias desta quarta-feira, o tribunal fixará o cronograma de alegatos, previstos para o 8 de julho de 2026, antes de ditar o veredito final.
Fonte: Infobae
Alfredo S. Quiroga