08/07/2026 22:25 - Economia
No âmbito do plano financeiro 2026/2027 apresentado pelo ministro da Economia, Luis Caputo, o Banco Central da República Argentina (BCRA) concretizou neste 8 de julho de 2026 uma transferência de US$ 2,5 bilhões aos credores internacionais. O objetivo foi garantir que os fundos fossem creditados durante o feriado de 9 de julho, data que celebra a Independência da Argentina e também o vencimento dos títulos Globais (bônus soberanos emitidos internacionalmente).
Este pagamento demonstra a normalização do acesso ao crédito e o cumprimento das obrigações financeiras do país, confirmando a estratégia do governo para o segundo semestre.
Após o pagamento, as reservas líquidas do BCRA fecharam em US$ 48,722 bilhões. Isso representou uma queda de US$ 814 milhões, um movimento completamente esperado e planejado. Um dia antes, as reservas haviam subido para US$ 49,536 bilhões, o nível mais alto desde setembro de 2019.
Para honrar esse compromisso sem afetar a estabilidade cambial, o governo argentino obteve um crédito de US$ 3,2 bilhões com três bancos internacionais, garantidos por organismos multilaterais. Os dólares entraram e saíram simultaneamente, evitando qualquer impacto negativo no mercado local.
Apesar do pagamento da dívida, a autoridade monetária continuou sua maré positiva. Nesta rodada, comprou US$ 34 milhões, acumulando 124 dias consecutivos como comprador líquido. No que vai de 2026, as aquisições líquidas do Banco Central atingem US$ 11,465 bilhões, fortalecendo ainda mais o colchão de reservas.
O cenário macroeconômico acompanha essa solidez. O risco país (indicador que mede a probabilidade de inadimplência de um país) está em 405 pontos-base, seu mínimo desde 2018. Além disso, a Pesquisa de Expectativas de Mercado (REM) do BCRA projeta uma inflação de 2% para junho e julho de 2026, enquanto a cotação do dólar oficial no Banco Nación (o principal banco estatal) é de $1.510 ARS.
Todos esses indicadores reforçam a ideia de que a Argentina está no caminho de uma recuperação estável e sustentada, com o próximo lançamento do Bonar 2029 (título soberano) em 15 de julho como um novo passo em direção ao grau de investimento.
Fonte: MDZol
Alfredo S. Quiroga