21/07/2026 09:39 - Politica
Com a Copa do Mundo de 2026 encerrada após a derrota da Argentina para a Espanha por 1 a 0 em 19 de julho de 2026, a Casa Rosada (sede do governo argentino, equivalente ao Palácio do Planalto no Brasil) apaga a febre futebolística e liga os motores da agenda política e legislativa. O presidente Javier Milei reassume o rumo em um cenário complexo, marcado pela urgência de aprovar reformas chave e o início do operativo para sua reeleição em 2027.
Uma das anedotas que ficou como lição na coalizão governista foi o anúncio prematuro de um feriado nacional. Após a derrota, o mandatário utilizou suas redes sociais para anunciar um dia festivo para receber a Seleção, mas a iniciativa se diluiu quando se confirmou que Lionel Messi e outras figuras voltariam diretamente aos seus clubes europeus sem fazer escala no país. Finalmente, em 20 de julho de 2026, o governo cancelou o feriado após a decisão do elenco de não realizar festejos massivos, optando por uma recepção protocolar em Ezeiza (principal aeroporto internacional de Buenos Aires).
Na terça-feira, 21 de julho de 2026, às 13:00 horas, a Mesa Política, coordenada por Karina Milei (irmã e principal assessora presidencial), se reúne para fazer um repasso do estado das reformas prioritárias. Entre os projetos que precisam de impulso estão:
Fontes oficiais preveem que o processo pré-eleitoral será acelerado, priorizando a conformação de listas para 2027. Para desbloquear negociações, o chefe de Gabinete, Diego Santilli, e o articulador nacional, Eduardo Lule Menem, intensificarão as reuniões com governadores. De fato, na quarta-feira, 22 de julho, Santilli e Caputo receberão o governador da província de Santa Fé, Maximiliano Pullaro, para assinar um convênio de transferência de obras viárias.
Enquanto o futebol dominava a atenção, a política não parou. Durante um ato na Bolsa de Comércio, Milei protagonizou um tenso confronto com um espectador que o interrompeu durante um discurso sobre teorias econômicas, aproveitando para reafirmar que buscará a reeleição.
Paralelamente, na província de Catamarca, realizou-se a 55ª edição do Festival Nacional e Internacional do Poncho, um evento que atraiu a diretoria política e empresarial local com vistas a 2027. Embora as figuras nacionais de peso tenham brilhado por sua ausência, o governador Raúl Jalil encabeçou a cerimônia, que contou com a presença do presidente do Banco Nação, Darío Wasserman.
O encontro serviu também para reativar as conversas entre os mandatários provinciais, que em seu grupo de WhatsApp trocaram saudações e vivas pela vitória da Seleção contra a Inglaterra, deixando de lado as escuderias políticas por um momento.
Apesar do clima de confraternização esportiva, as disputas políticas seguem latentes. No peronismo (representado pelo PJ - Partido Justicialista, principal força de oposição), figuras como o ex-governador de Salta Juan Manuel Urtubey expressaram otimismo sobre a unidade do partido de cara às próximas eleições, assegurando que se se reorganizarem, podem voltar a ter um presidente. Por sua vez, a Igreja também tentou construir pontes organizando uma Jornada Pátria pela Cultura do Encontro em Almirante Brown, que reuniu o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, e mais de 500 referentes de diversos setores para exigir uma política orientada ao bem comum e contra a polarização.
O desafio para La Libertad Avanza (partido de extrema-direita liderado por Milei) será consolidar acordos em pelo menos oito províncias para a montagem de listas. Com a reforma eleitorar na mesa e a necessidade de sustentar a agenda de ajuste e crescimento, o governo se prepara para um segundo semestre intenso.
Fonte: Imago Noticias
Alfredo S. Quiroga