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YPF transfere bens patrimoniais a Chubut e gera conflito com Comodoro Rivadavia

25/06/2026 15:41 - Politica

A decisão da YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), a maior empresa de petróleo e gás da Argentina, de transferir suas propriedades em Comodoro Rivadavia ao governo da província de Chubut desencadeou uma intensa disputa política e jurídica sobre o destino de um patrimônio histórico fundamental para esta cidade patagônica. O acordo inclui terrenos, edifícios históricos, clubes sociais e áreas estratégicas para o desenvolvimento urbano.

O conflito pelo patrimônio petrolífero

O prefeito Othar Macharashvili repudiou a medida e exigiu que os bens passem para a órbita municipal. "Trata-se de uma decisão que volta a desconhecer a contribuição histórica que Comodoro Rivadavia realizou durante mais de um século ao desenvolvimento da YPF e da indústria energética nacional", declarou o chefe comunal.

Macharashvili enfatizou que o edifício histórico do Kilômetro 3 (um dos bairros mais antigos da cidade) e os imóveis vinculados ao patrimônio petrolífero "devem preservar seu caráter público e sua pertença à comunidade que lhes deu origem". Espera que o governador Ignacio Torres considere a transferência destes bens para a cidade.

A posição do governo provincial

O governador Torres defendeu o acordo e anunciou o envio de um projeto de lei à Legislatura de Chubut para garantir que os ativos permaneçam destinados aos cidadãos de Comodoro. Desde a Província argumentam que as responsabilidades sobre os passivos ambientais já foram transferidas às empresas que atualmente operam as áreas.

A funcionária municipal Jordana Mrla questionou duramente o ministro de Hidrocarbonetos, Federico Ponce: "Deveria defender Comodoro em vez de atuar como porta-voz da YPF". Acrescentou que "para Comodoro o verdadeiro patrimônio não são somente os edifícios ou os terrenos; o verdadeiro patrimônio é recuperar um ambiente saudável para as próximas gerações".

Bens em disputa e antecedentes legais

Entre os ativos transferidos encontram-se:

  • Clube Ingeniero Luis A. Huergo - centro social e esportivo histórico
  • Federação Desportiva de Comodoro Rivadavia - entidade que reúne clubes locais
  • Predios históricos do Kilômetro 3 e zona norte
  • Tiro Federal Argentino General Enrique Mosconi - clube de tiro tradicional
  • Edifício da histórica Administração da YPF no Km 3
  • Terrenos em Km 3, Km 4, Rodríguez Peña e zona norte

Em 1995, o município e a YPF assinaram um convênio para transferir imóveis em troca de perdoar uma dívida tributária. No entanto, especialistas assinalam que parte desse processo nunca se formalizou completamente mediante medições e registros definitivos, deixando uma zona cinzenta sobre a propriedade efetiva de alguns lotes.

Passivos ambientais e ações legais

O município ratificou que continuará exigindo tarefas de remediação em setores como Área Central e Restinga Alí (zonas com contaminação por atividades petrolíferas). Não se descarta que o conflito escale ao plano judicial mediante uma ação declarativa de certeza para que a Justiça determine a validade jurídica da transferência e clarifique a titularidade dos bens.

Contexto para quem não conhece a região

Comodoro Rivadavia é a cidade mais importante do sul da Argentina, com cerca de 200.000 habitantes. Conhecida como a "capital nacional do petróleo", foi ali que se descobriu petróleo em 1907, o que deu origem à YPF. A Bacia do Golfo San Jorge é uma das regiões petrolíferas mais antigas do país, agora em declínio produtivo.

O que significa isso?

A YPF está se retirando dos campos maduros (yacimientos maduros) da região. O CEO Horacio Marín havia declarado meses atrás: "Os terrenos são nossos, ponto", referindo-se aos ativos sob controle da companhia. A disputa é sobre quem deve ficar com estes bens quando a empresa partir.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga