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Rússia usou ferramenta israelita para hackear telemóvel de ativista após cancelar contratos

25/06/2026 22:15 - Internacionales

Investigação confirma uso de Cellebrite em perseguição política

Uma investigação forense realizada pelo Citizen Lab da Universidade de Toronto revelou que as autoridades russas utilizaram ferramentas da empresa israelita Cellebrite para aceder ao telemóvel do ativista político Andrey Pivovarov, diretor da organização Open Russia, em junho de 2021. Esta descoberta é particularmente grave porque ocorreu três meses depois de a Cellebrite ter anunciado publicamente o cancelamento de todos os seus contratos com clientes russos e bielorrussos.

Pivovarov foi detido a 31 de maio de 2021 no aeroporto de São Petersburgo enquanto tentava embarcar num voo. Os seus dispositivos, incluindo um iPhone 12 e um MacBook, foram confiscados pelos serviços de segurança russos. O ativista nunca forneceu as suas palavras-passe nem deu consentimento para a busca dos seus dispositivos, os quais permaneceram em custódia oficial até 2023.

📱 O que encontraram no telemóvel?

Segundo a análise forense e os documentos oficiais russos, as autoridades extraíram:

  • Mensagens de WhatsApp, Telegram e Viber
  • Contactos de organizações políticas
  • Informação sobre figuras da oposição
  • Pesquisas sobre "Movimento Cívico Open Russia"

Os investigadores procuraram termos específicos incluindo nomes de figuras opositoras como Mikhail Khodorkovsky e Anastasiya Burakova.

⚠️ O problema da Cellebrite

A Cellebrite anunciou em março de 2021 que cancelaria os seus contratos com a Rússia e Bielorrússia após pressão mediática. No entanto:

  • O hardware continuou a funcionar sem atualizações
  • O sistema tem modo offline que permite uso sem ligação
  • Não existe evidência de desativação remota eficaz
  • A empresa tem histórico de vendas a regimes repressivos

🔬 Evidência forense incontestável

A análise técnica encontrou "com alta confiança" vestígios do uso de Cellebrite UFED (Universal Forensic Extraction Device) no iPhone 12 de Pivovarov, especificamente a 17 de junho de 2021. A evidência inclui:

Tipo de Evidência Descoberta
Host ID 9016926980658937761372207 - atribuído à Cellebrite
Documento oficial russo Relatório Forense Nº 1269-17 confirma uso de UFED Physical Analyzer e UFED 4PC
Ligações USB Registos MobileLockdown mostram ligação a dispositivo Cellebrite

📊 Histórico de abusos documentados

O Citizen Lab documentou casos de uso indevido de tecnologia Cellebrite em múltiplos países:

País Uso reportado Estado do contrato
Rússia Perseguição de ativistas como Pivovarov e Lyubov Sobol Cancelado em 2021
Sérvia Acesso a dispositivos de jornalistas e estudantes Cancelado
Quénia Ativista Boniface Mwangi após detenção arbitrária Ativo
Jordânia Múltiplos ativistas e membros da sociedade civil Ativo
Myanmar Jornalistas da Reuters detidos por reportar sobre Rohingya Cancelado
China Vendas extensivas a autoridades Cancelado

🎯 MacBook: a encriptação salvou os dados

O relatório forense revela que as autoridades não conseguiram aceder à MacBook de Pivovarov devido à encriptação do dispositivo. O documento russo indica explicitamente que "a encriptação tornou impossível aceder ao sistema de ficheiros".

Lição importante: A encriptação completa do disco pode ser uma barreira eficaz contra extração forense.

⚠️ Implicações para a segurança digital

O caso Pivovarov demonstra que mesmo quando uma empresa cancela formalmente um contrato, as ferramentas já vendidas podem continuar a operar. O Citizen Lab recomenda:

Para a Cellebrite:

  • Desativação remota eficaz de licenças canceladas
  • Marcas de água criptográficas que identifiquem o cliente
  • Due diligence exaustiva antes de vendas
  • Não vender a autocratas

Para ativistas em risco:

  • Manter sistema operativo atualizado
  • Usar palavras-passe alfanuméricas fortes
  • Ativar Modo de Bloqueio (iPhone)
  • Encriptação completa do disco em computadores
  • Desligar completamente o dispositivo antes de situações de risco

📅 Cronologia do caso

31 de maio de 2021: Pivovarov detido no aeroporto de São Petersburgo, dispositivos confiscados.

Junho de 2021: Análise forense do iPhone 12 usando Cellebrite UFED.

Julho de 2022: Sentenciado a 4 anos de prisão por atividades de organização "indesejável".

1 de agosto de 2024: Libertado em troca de prisioneiros que incluiu o jornalista Evan Gershkovich.

Outono de 2025: Contacta o Citizen Lab em Berlim para análise forense.

25 de junho de 2026: Publicação do relatório completo.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga