26/06/2026 18:41 - Economia
A pressão sobre o mercado cambial argentino aumentou significativamente nas últimas semanas, em um contexto onde o dólar se fortalece mundialmente. Para quem está fora da Argentina, é importante entender que o país sul-americano é especialmente sensível às variações cambiais devido à sua economia emergente e histórico de instabilidade monetária.
O conflito no Oriente Médio atua como pano de fundo desta volatilidade financeira. Segundo a consultoria 1816, durante o último mês e meio os mercados de moedas, dívida e commodities apresentaram volatilidade incomum impulsionada por fatores externos e internos.
Valores em pesos argentinos (ARS)
| Tipo de dólar | Valor | Variação junho |
|---|---|---|
| Atacadista (mayorista) | $1.477 | +$69 (4,8%) |
| Varejista (minorista) | $1.495 | +$65 (4,5%) |
| Dólar blue (paralelo) | $1.530 | +$100 (5,2%) |
| CCL (Contado com Liquidação) | $1.554 | - |
O que é dólar blue? É o câmbio paralelo informal argentino, muito usado por turistas e residentes para obter moeda estrangeira fora das restrições oficiais.
Por que isso importa? Argentina é grande exportadora de soja, e Brasil é seu principal parceiro comercial.
O Banco Central da República Argentina (BCRA) adotou novas estratégias para conter expectativas de desvalorização. Para entender o contexto: a Argentina vive sob um controle cambial (conhecido como "cepo") desde 2011, limitando o acesso a dólares oficiais.
1. Redução de compras de divisas:
O Central reduziu o ritmo de compras de dólares no Mercado Livre de Cambios (MLC). Em junho, as aquisições totalizam USD 1.296 milhões, muito abaixo dos USD 2.596 milhões de maio.
2. Venda de títulos dollar linked:
Estes títulos atados à evolução do câmbio permitem ao BCRA obter pesos e limitar a pressão sobre o mercado. Até 22/06 representam 76% da cobertura total com USD 10.512 milhões.
A valorização do dólar responde a múltiplos fatores combinados:
A tensão geopolítica gera aversão ao risco e busca de ativos seguros como o dólar americano.
Oscilações em preços de matérias-primas amplificam incerteza em mercados emergentes.
Investidores buscam proteção, aumentando a demanda por dólares.
Emilio Botto, da Mills Capital, indicou que o dólar oficial "começa a dar sinais de que quer se mover". Com inflação projetada de 32% anual, existe um atraso cambial estimado de 16%.
Cálculo de referência: Para acompanhar a inflação acumulada, com estimativa de 2,1% para junho, o dólar deveria estar próximo de $1.709.
A consultora CIMA alerta que o segundo semestre tende a ser menos favorável para geração de divisas. A principal variável de ajuste seria um tipo de câmbio real mais alto.
A alta do dólar ocorre em momento particular:
O cenário base "segue sendo de uma correção ordenada, sem crise, enquanto continuarem os ingressos de divisas por energia, agronegócio e financiamento privado".
Fonte: Infobae | Dados: consultoras 1816, Bavsa, CIMA e Mills Capital
Alfredo S. Quiroga