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Banco Nación lança plano histórico para refinanciar dívidas em atraso: até 10 anos e taxas a partir de 12%

27/06/2026 04:09 - Economia

Uma saída para quem não chega ao fim do mês

O Banco Nación (o principal banco público da Argentina, equivalente ao Banco do Brasil em termos de importância estatal) anunciou uma nova ferramenta financeira para ajudar famílias e microempreendedores a sair da inadimplência que se agravou no último ano. A iniciativa, disponível a partir da segunda-feira, 29 de junho de 2026, permite refinanciar dívidas de consumo com prazos estendidos e taxas preferenciais.

A medida chega em um contexto crítico: segundo dados do Banco Central da Argentina, a inadimplência dos empréstimos bancários às famílias atingiu 12,1% em abril de 2026, o nível mais alto em mais de duas décadas. Este indicador triplicou nos últimos doze meses e representa um avanço de mais de 8 pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Quem pode acessar?

  • Pessoas físicas em atividade laboral que recebem seus salários através do Banco Nación
  • Aposentados e pensionistas com pagamento na entidade
  • Autônomos e monotributistas (contribuintes de regime simplificado, similar ao MEI brasileiro)
  • Devedores de produto único do segmento Microempresas/Empreendedores (carteira de consumo)

Condições do empréstimo

Prazo máximo:Até 120 meses (10 anos)
Sistema:Amortização francesa (parcelas fixas)
TNA pagando no BNA:12% fixa
TNA demais usuários:14% fixa

O que é o limite por CVS e por que importa?

Uma das inovações mais importantes desta linha é a opção de incorporar um limite de parcela por Coeficiente de Variação Salarial (CVS). Este mecanismo funciona como um "teto" de proteção:

Sem o limite: Se a parcela ajustada por UVA (Unidades de Valor Aquisitivo - indexador inflacionário argentino) cresce mais que os salários, o devedor pode ter que destinar uma proporção cada vez maior de seus rendimentos ao pagamento.

Com o limite CVS: Se a parcela supera a evolução salarial, aplica-se como referência o CVS, limitando o impacto no bolso do devedor. Requer contratar uma cobertura adicional.

Nota: Esta opção está disponível apenas para clientes que recebem seus rendimentos no banco.

Contexto: Por que esta medida é necessária?

A crise econômica argentina afetou fortemente as finanças familiares. Estimativas da consultora 1816 indicam que mais de 5,3 milhões de pessoas já têm pelo menos um crédito em situação irregular. As causas são múltiplas:

  • Inflação persistente que corroeu os rendimentos reais (a Argentina enfrenta inflação crônica há décadas)
  • Aumento das taxas de juros que encareceu o custo do dinheiro
  • Estagnação dos salários formais
  • Aumento do custo de vida (aluguéis, serviços, alimentos)

O programa busca evitar que devedores caiam em situações de incobrança total, permitindo uma saída ordenada que preserve tanto a capacidade de pagamento quanto a relação creditícia do cliente.

Outras opções já disponíveis

Esta nova linha se soma aos instrumentos lançados em maio de 2026:

Linha Valor máximo Prazo TNA Requisito
Consolidação de dívidas Até $100 milhões 72 meses 65% Receber rendimentos no BNA
Refinanciamento cartão (até 90 dias de atraso) Até $10 milhões 60 meses 35% Cliente BNA
Refinanciamento cartão (mais de 90 dias) Sujeito a avaliação Até 96 meses Variável Avaliação creditícia
Nova linha inadimplência Segundo dívida existente 120 meses 12%-14% Clientes em situação 3, 4 ou 5

Como acessar o benefício?

Os interessados devem comparecer a qualquer agência do Banco Nación a partir da segunda-feira, 29 de junho. Recomenda-se levar:

  • DNI (Documento Nacional de Identidade argentino) do titular da dívida
  • Último extrato da dívida a refinanciar
  • Comprovante de rendimentos (contracheque, comprovação de aposentadoria)
  • Conta bancária onde recebe rendimentos (para acessar a taxa preferencial)

Cada solicitação será avaliada de forma personalizada por equipes especializadas do banco, considerando o perfil do cliente e sua situação econômica atual.

Importante: Para manter a taxa preferencial de 12%, os clientes deverão conservar o recebimento de seus rendimentos no Banco Nación durante toda a vigência do empréstimo. A mudança de entidade receptora de rendimentos implicará a aplicação da taxa de 14%.

Fontes: Banco Nación, Banco Central da República Argentina, consultora 1816, Diario Norte.

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga