02/07/2026 09:27 - Economia
Para entender a economia argentina, é preciso olhar além dos números imediatos. Segundo dados oficiais consolidados em julho de 2026, a arrecadação tributária do mês de junho fechou em 20 trilhões de pesos (na Argentina, o 'bilhão' em espanhol equivale ao 'trilhão' em português, representando 10¹²). Esse número representou um aumento nominal de 23,7% em comparação ao ano anterior. Embora isso signifique uma queda de 7,1% em termos reais frente a uma inflação interanual de 33,2%, especialistas destacam a solidez dos indicadores macroeconômicos gerais do país.
Retenciones (Retenções de Exportação): Impostos aplicados às exportações agrícolas. O governo argentino os utiliza para reter dólares no país. As novas políticas reduziram essas taxas para incentivar a produção, fixando-as em 24% para soja, 5,5% para trigo e 8,5% para milho.
Ganancias (Imposto de Renda): É o equivalente ao Imposto de Renda brasileiro. Houve uma prorrogação no pagamento, resultando em um aumento moderado de 11,3% ao ano.
Impuesto al Cheque: Um imposto único na Argentina cobrado sobre movimentações bancárias, que cresceu 33,2%, acompanhando a inflação.
A queda na arrecadação real foi impulsionada principalmente pela redução das retenções de exportação, que caíram 27,8% nominal (-38,3% real). No entanto, isso reflete as novas políticas de alíquotas que visam estimular o setor produtivo e tornar a economia mais competitiva globalmente.
Apesar do contexto, vários impostos demonstraram notável força, crescendo acima da inflação de 33,2% e mostrando a resiliência de certos setores da economia nacional:
| Imposto | Variação Anual |
|---|---|
| Combustíveis | +70,4% |
| Bens Pessoais (Patrimônio) | +46,2% |
| Imposto do Cheque | +33,2% |
O setor agroexportador, motor da economia argentina, liquidou US$ 3,007 bilhões em junho, acumulando US$ 13,378 bilhões no primeiro semestre do ano. As transferências automáticas para as províncias (equivalente aos estados) foram de 6,83 trilhões de pesos em junho, marcando um aumento nominal de 25,7%.
O Banco Central da Argentina acumulou compras de US$ 11 bilhões no que vai de 2026, levando as reservas internacionais a US$ 47,081 bilhões. Além disso, o risco país (indicador que mede a probabilidade de um país não pagar suas dívidas soberanas; quanto menor, melhor) está em 426 pontos base, o mínimo desde 2018, gerando um clima de otimismo para novos investimentos estrangeiros.
A Argentina avança com passos firmes rumo à estabilidade. As projeções para o segundo semestre mostram um cenário de recuperação, impulsionado pela excelente safra de exportações, a queda do risco país e o fortalecimento das reservas internacionais.
Fonte: Clarín Economía
Alfredo S. Quiroga