ÚLTIMAS
Español English 中文 Português Français Italiano Deutsch العربية Русский اردو

Reforma eleitoral em curso: Milei impulsiona mudanças rumo a 2027

02/07/2026 15:34 - Politica

Governo reorganiza estratégia eleitoral na Argentina

O presidente argentino Javier Milei iniciou uma nova fase de pragmatismo político após a renúncia de Manuel Adorni em 27 de junho de 2026 e a subsequente posse de Diego Santilli como chefe de Gabinete em 30 de junho de 2026. O chefe de Gabinete na Argentina é um cargo de alta relevância, semelhante ao de um primeiro-ministro, responsável pela articulação política e administração do Estado. Com o gabinete renovado, a Casa Rosada (sede do governo argentino, equivalente à Casa Branca) focou na sua agenda legislativa e em reorganizar a estratégia eleitoral de cara às eleições presidenciais de 2027.

Em uma reunião com legisladores da coalizão La Libertad Avanza (o partido de Milei) na Casa Rosada, o presidente apresentou os eixos centrais dos projetos pendentes. A reforma política encabeça a lista, incluindo propostas de grande impacto como a eliminação das PASO, a implementação da Ficha Limpia e a desregulação do financiamento de campanhas.

O que são PASO, Ficha Limpia e Ley de Lemas?

  • PASO (Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias): É um sistema singular na Argentina, onde todos os partidos realizam suas eleições internas no mesmo dia, e a participação dos cidadãos é obrigatória. A proposta de Milei busca eliminá-las.
  • Ficha Limpia (Ficha Limpa): Uma iniciativa que visa impedir que pessoas condenadas por certos crimes possam se candidatar a cargos públicos, promovendo maior transparência.
  • Ley de Lemas (Lei dos Lemas): Outro projeto em discussão que poderia modificar substancialmente o cenário eleitoral. Neste sistema, as diferentes facções de um mesmo partido (sub-lemas) competem na eleição geral e seus votos são somados ao partido principal (o lema), decidindo-se o vencedor da facção depois.

Busca por aliados chave no Congresso

O oficialismo abandona progressivamente o discurso anti-casta para focar nos resultados econômicos e na busca de acordos políticos com outros setores. Nesse contexto, a figura de Patricia Bullrich, chefe do bloco no Senado, ganha um papel de destaque ao obter poder de negociação para destravar as sessões e avançar com as reformas.

Segundo fontes do governo, a convocação para reuniões de trabalho parlamentar foi modificada, priorizando o consenso antes de fixar novas sessões.

O papel de Karina Milei e a nova equipe

A reorganização também alcançou a 'primeira irmã', Karina Milei, que apresentou sua nova equipe de trabalho formada por Ignacio Devitt (secretário de Assuntos Estratégicos), Fabián Fernández (secretário de Comunicação), Eduardo Menem (subsecretário de Gestão Institucional) e Ariel Ferrentino (assessor de comunicação). O objetivo desta equipe será controlar as articulações eleitorais a nível nacional e provincial.

Por sua vez, Santiago Caputo continuará assessorando o Presidente, mas sem intervir diretamente nas negociações provinciais, uma tarefa que recairá sobre o novo chefe de Gabinete. Adrián Ravier, entretanto, assumiu como novo porta-voz presidencial com uma abordagem mais orientada à comunicação dos êxitos econômicos.

Contexto econômico e agenda pendente

A estratégia política baseia-se em um cenário econômico que o governo considera favorável para negociar. O Banco Central acumulou compras de USD 11.000 milhões em 2026, as reservas internacionais atingem USD 47.081 milhões e registou-se um superávit comercial recorde de USD 11.783 milhões entre janeiro e maio de 2026.

No entanto, a agenda legislativa do Executivo ainda tem tarefas pendentes além da reforma eleitoral. Entre os projetos que buscam aprovação estão o Súper RIGI (um regime ampliado de incentivos fiscais para grandes investimentos estrangeiros), a lei de inviolabilidade da propriedade privada, a aprovação de nomeações judiciais e a regulamentação sobre a ludopatia.

Notícias de Hoje
A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga