04/07/2026 03:49 - Economia
Para entender a dimensão dessa crise, é importante contextualizar que a Argentina atravessa um período de fortes ajustes econômicos e abertura de importações, o que afeta diretamente a indústria local. Segundo o relatório mensal da Federación de Industrias Textiles Argentinas (FITA) — a principal entidade representativa do setor no país —, a produção têxtil sofreu uma forte contração nos primeiros meses de 2026. O modelo de abertura de importações somado à retração do consumo continuam golpeando duramente a cadeia de valor local.
Durante abril, o setor operou com uma capacidade instalada de 42,4%, colocando-se na última posição da indústria junto com produtos de borracha e plástico. A diferença em relação à média geral (59,9%) foi de 17,5 pontos percentuais. Os investimentos também não acompanham: as importações de maquinário têxtil entre janeiro e maio somaram USD 50,4 milhões, uma queda de 24% interanual, com exceção dos equipamentos de lavanderia que subiram 3%.
O mercado de trabalho sofre o impacto direto. Em março de 2026, o agregado de têxtil, confecção, couro e calçado contabilizou 97.000 postos de trabalho formais, perdendo 14.000 empregos em relação a março de 2025. Desde dezembro de 2023, a perda acumulada supera os 24.000 postos. Em relação aos preços, o setor aumentou seus valores abaixo da inflação geral (medida pelo IPC - Índice de Preços ao Consumidor na Argentina). Em maio, roupas e calçados subiram 0,28%, frente aos 2,15% do IPC geral.
Enquanto as importações de toda a cadeia têxtil caíram 24% em volume em maio (21.390 toneladas por USD 102 milhões), as exportações mostraram um salto surpreendente. Em maio, foram exportadas 15.724 toneladas por USD 40 milhões, um aumento interanual de 36% em volume e 53% em valor. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos fios, que aumentaram 400% em volume no quinto mês do ano, mostrando que a indústria local ainda possui potencial competitivo no mercado externo.
Fonte: Relatório da Federación de Industrias Textiles Argentinas (FITA) e Infobae
Alfredo S. Quiroga