07/07/2026 21:10 - Actualidad
No dia 3 de julho de 2026, a Academia Nacional de Ciências Exatas, Físicas e Naturais (ANCEFN) divulgou um comunicado manifestando profunda preocupação com a situação do Sistema Nacional de Ciência e Técnica. A entidade alertou que as medidas adotadas nas últimas semanas poderiam provocar uma grave fuga de cérebros, mas também ofereceu sua colaboração para reorientar as políticas públicas do setor.
Para quem acompanha de fora, a ciência e a tecnologia na Argentina são consideradas políticas de Estado cuja continuidade transcende os governos. O deterioro das capacidades construídas durante décadas compromete o desenvolvimento econômico, a saúde e a soberania do país. No entanto, a comunidade científica está disposta a trabalhar para reverter essa situação.
Segundo informou o meio local Econojournal em 6 de julho de 2026, as demissões anunciadas na Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) deixaram virtualmente paralisadas áreas-chave do organismo. Dois gerentes de área solicitaram por escrito ao presidente do organismo, Martín Porro, a reincorporação de seu pessoal, argumentando que a desvinculação de profissionais colocou em risco o cumprimento de contratos de serviço que geram recursos substanciais.
Além disso, em desacordo com as desvinculações, renunciaram três gerentes da instituição: Karina Pierpauli (Área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação), Fabiana Gennari (Pesquisa Aplicada) e Alejandra Calvo (Centro de Pesquisa Laboratório Argentino de Feixes de Nêutrons).
O vice-presidente da ANCEFN, Galo Soler Illia, referiu-se à perda do poder aquisitivo dos cientistas, que se encontra de 40% a 45% abaixo em relação a novembro de 2023. Em diálogo com a rádio Urbana Play, assegurou que os jovens pesquisadores, apesar de terem mais de uma década de formação, ganham abaixo da linha da pobreza e se veem obrigados a emigrar.
Soler Illia estimou que cerca de 2.000 jovens pesquisadores abandonaram o CONICET ou pediram licença nos últimos dois anos e meio, qualificando a situação como um 'êxodo' que oferece oportunidades no exterior, mas esvazia o país.
Apesar do panorama, a Academia reiterou seu compromisso com o desenvolvimento nacional e colocou suas capacidades consultivas à disposição para colaborar em uma urgente valorização da ciência argentina.
Em 7 de julho de 2026, o Conselho Diretivo do Centro Científico Tecnológico (CCT) CONICET Santa Fe publicou uma manifestação institucional em defesa do sistema nuclear. O Conselho repudiou a onda de demissões na CNEA e o processo de esvaziamento que ameaça projetos soberanos como o reator CAREM, o RA-10 e a produção de radioisótopos para a saúde pública.
A partir do CONICET Santa Fe, exigiram a imediata reincorporação do pessoal afetado e a alocação do orçamento necessário, reafirmando que 'a soberania científica e tecnológica não se negocia'. A comunidade científica permanece unida e otimista de que o diálogo e a valorização de suas décadas de esforço permitam retomar o caminho do desenvolvimento tecnológico independente.
Fontes: Infobae, Econojournal, CONICET Santa Fe.
Alfredo S. Quiroga