07/07/2026 21:35 - Politica
De acordo com as manchetes dos principais jornais, o Poder Executivo argentino buscaria imitar o mecanismo estadunidense conhecido como "fechamento do governo" (government shutdown). Para quem não está familiarizado com o termo, trata-se de uma ferramenta política onde a falta de aprovação oportuna do orçamento pelo Poder Legislativo conduz à paralização de grande parte das atividades estatais. Esta medida busca exercer pressão sobre os legisladores para agilizar a tramitação da lei orçamentária.
Esta iniciativa se enquadra na nova etapa de gestão liderada por Diego Santilli, que assumiu como Chefe de Gabinete (um cargo semelhante ao de um primeiro-ministro ou ministro-chefe da Casa Civil) em 30 de junho de 2026, após a renúncia de Manuel Adorni. Santilli tem como missão principal liderar as negociações com governadores e aliados para avançar com a agenda oficialista com vista à reeleição em 2027.
Entre as prioridades legislativas do governo antes do recesso parlamentar de 20 de julho de 2026, encontram-se a eliminação das PASO (Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias, um sistema único de eleições primárias na Argentina) e a implementação da 'Ficha Limpa' (uma iniciativa que busca impedir a candidatura de políticos com condenações penais), além de diversas reformas institucionais que exigem amplo consenso no Parlamento.
O debate sobre o orçamento ocorre em um momento chave para a economia argentina. Recentemente, o ministro da Economia, Luis Caputo, apresentou o plano financeiro 2026/2027. O mesmo projeta para 2026 necessidades de financiamento por USD 19.200 milhões e fontes de recursos por USD 22.900 milhões, o que deixa uma almofada excedente de USD 3.700 milhões. Para 2027, estimam-se necessidades e fontes por USD 24.900 milhões.
O forte ordenamento das contas públicas teve um impacto positivo nos mercados: o risco país (um indicador que mede a probabilidade de um país não pagar sua dívida externa) caiu para 410 pontos básicos, atingindo seu nível mais baixo desde 2018. Além disso, as reservas do Banco Central da República Argentina (BCRA) superam os USD 48.000 milhões, mostrando um horizonte de estabilidade que o Governo busca consolidar com um orçamento aprovado a tempo.
Alfredo S. Quiroga