20/07/2026 19:43 - Economia
A companhia agroindustrial Adecoagro —fundada em 2002 e negociada em Wall Street, com operações na Argentina, Brasil e Uruguai— anunciou em 20 de julho de 2026 uma nova aquisição fundamental para consolidar sua liderança regional. A empresa desembolsou USD 148 milhões (aproximadamente 760 milhões de reais) para comprar a Usina Caarapó do Grupo Raízen, uma empresa de energia formada por Cosan e Shell.
A operação não inclui apenas a planta industrial, mas também a cessão de cana-de-açúcar própria e os contratos de fornecimento com produtores vinculados. O pagamento será feito em dinheiro no fechamento da transação, que está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Brasil e prevê-se que se concretize antes de 1 de outubro de 2026.
A usina Caarapó está localizada no estado de Mato Grosso do Sul, a apenas 100 quilômetros das plantas Angélica e Ivinhema, que já são operadas pela Adecoagro. Esta proximidade geográfica é a pedra angular do negócio: permitirá a criação de um cluster industrial para otimizar a logística, compartilhar infraestrutura e reduzir custos fixos.
Durante a safra 2025/26, o complexo processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Com investimentos marginais, estima-se que a capacidade de processamento total da Adecoagro na região dará um salto de 25%. Além de açúcar, a planta tem capacidade para produzir etanol hidratado e anidro, bem como energia renovável a partir de biomassa.
A aquisição chega em um momento de forte impulso para os biocombustíveis no Brasil. Em 14 de julho de 2026, o país vizinho elevou a mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%, com projeção de atingir 35% por meio de sua Lei de Combustível do Futuro. Este marco regulatório claro impulsiona a demanda e garante rentabilidade na origem.
Em contraste, a Argentina mantém sua mistura obrigatória em 12%, com um teto voluntário de 15% habilitado apenas em março de 2026, embora existam iniciativas no Congresso para debater um aumento.
| Detalhe da Aquisição | Informação |
|---|---|
| Comprador | Adecoagro |
| Vendedor | Grupo Raízen (Cosan e Shell) |
| Valor da operação | USD 148 milhões (760M reais) |
| Localização do ativo | Mato Grosso do Sul, Brasil |
| Distância para outras usinas próprias | 100 km |
| Processamento safra 2025/26 | 3,5 milhões de toneladas |
| Fechamento previsto | Antes de 1 de outubro de 2026 |
O movimento no Brasil soma-se a uma série de aquisições estratégicas que posicionam a Adecoagro como um gigante sul-americano. Em 2025, a empresa foi adquirida pelo grupo de criptomoedas Tether —emissor da stablecoin USDT—, que desembolsou mais de USD 615 milhões para ficar com 70% do capital, injetando uma enorme liquidez que motoriza esta fase de expansão.
Em dezembro de 2025, a Adecoagro e a Asociación de Cooperativas Argentinas (ACA) assumiram o controle total da Profertil —principal produtora de ureia da Argentina—, em uma operação próxima a USD 1.200 milhões. A Adecoagro consolidou 90% do capital após comprar as participações da YPF (empresa estatal argentina) e da Nutrien. Esta jogada já dá frutos: no primeiro trimestre de 2026, o negócio de fertilizantes aportou USD 52,5 milhões ao EBITDA ajustado, tornando-se a unidade mais rentável.
A empresa também olha para o setor lácteo. É uma das dez empresas que compraram os editais para ficar com ativos da SanCor —cooperativa láctea histórica argentina declarada falida em abril de 2026. O processo, que inclui seis plantas industriais e marcas avaliadas em USD 52,1 milhões, está temporariamente suspenso por decisões judiciais.
Mariano Bosch, cofundador e CEO da Adecoagro, afirmou que a aquisição reforça sua posição como um dos produtores mais eficientes da indústria. Por sua vez, o analista financeiro Claudio Maulhardt destacou nas redes sociais que a Adecoagro encontrou um vendedor motivado e soma um ativo barato à sua carteira. Após o anúncio de 20 de julho de 2026, as ações da empresa em Wall Street subiam mais de 1%.
Fontes: Infobae, Clarín, El Cronista e Ámbito.
Alfredo S. Quiroga