22/07/2026 15:05 - Deportes
Na segunda-feira, 20 de julho de 2026, um dia após a emocionante final da Copa do Mundo, o presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio 'Chiqui' Tapia, viveu um momento inesperado antes de retornar ao seu país. Segundo relataram meios de comunicação como Infobae e La Voz, agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) o detiveram no aeroporto internacional JFK de Nova York.
No âmbito de uma operação, as autoridades estadunidenses apreenderam os telefones celulares, computadores e diversos dispositivos eletrônicos de Tapia e de outros membros da comitiva oficial. A medida gerou um atraso no voo charter AR 1971 da Aerolíneas Argentinas, que originalmente deveria decolar às 6:00 da manhã, mas acabou partindo apenas às 8:15 da manhã.
O foco da Justiça dos Estados Unidos está sobre a estrutura financeira utilizada para administrar os contratos comerciais internacionais da AFA. De acordo com documentos judiciais, estão sendo analisadas operações que ultrapassam USD 300 milhões.
No centro da investigação aparece a sociedade Tourprodenter LLC, registrada na Flórida e administrada por Javier Faroni e sua esposa, Erica Gillette. Esta empresa foi designada por Tapia como agente comercial exclusivo para acordos de patrocínio, partidas amistosas e direitos de transmissão de televisão da Seleção Argentina.
O Ministério Público busca determinar se a movimentação desses fundos configura crimes sob a legislação estadunidense. Por esse motivo, Tapia foi formalmente intimado a depor perante a Corte do distrito sul da Flórida no próximo 30 de julho de 2026, onde deverá fornecer informações sobre sua ligação com Faroni e com o tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino.
A investigação está sendo liderada por três promotores federais especializados em crimes econômicos: Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger. Os peritos analisam documentação bancária que revela uma complexa rede de transferências em instituições de primeiro nível, como Bank of America, Citibank, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Os extratos bancários mostram que apenas por uma conta do PNC Bank circularam USD 13.554.200,64 em menos de um ano. Grande parte desse dinheiro provinha de contratos comerciais da AFA firmados em regiões da Ásia, Europa e Oriente Médio. Além disso, os fundos permaneciam nas contas por apenas 24 a 72 horas antes de serem encaminhados a empresas de fachada, como Soagu, Marmasch, Delker, Velpasalt e Mafer, que receberam mais de USD 3.171.800.
De acordo com o jornal El Día, no último ano as máximas autoridades da AFA também ficaram sob os holofotes na Argentina. A Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro (ARCA) e a Unidade de Informação Financeira (UIF) impulsionaram processos por supostos crimes econômicos.
Em dezembro de 2025, a ARCA denunciou a AFA por suposta apropriação indébita de tributos e recursos da seguridade social na ordem de $19.000 milhões ARS. Nesse processo, foram indiciados Claudio Tapia, Pablo Toviggino, Cristian Malaspina e Gustavo Lorenzo.
A transparência no esporte é um valor fundamental para os torcedores. Essas medidas judiciais, tanto nos Estados Unidos quanto na Argentina, buscam garantir que a administração dos recursos do futebol argentino seja clara e justa, abrindo as portas para uma gestão futura mais saudável e confiável para todos os amantes do futebol. #mundial-2026
Alfredo S. Quiroga