Uma quarta-feira de fortes oscilações nos mercados globais

Os mercados internacionais operaram nesta 29 de julho de 2026 com dinâmica instável, condicionados por dois fatores principais: a escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã e a decisão do Federal Reserve (Fed) dos EUA sobre as taxas de juros. Apesar desse clima de aversão ao risco, a Argentina demonstrou solidez em suas contas locais, conseguindo um bem-sucedido refinanciamento da dívida e acumulando reservas.

Geopolítica: petróleo volta a superar os USD 90

O renovado conflito entre EUA e Irã, após um ataque a uma base americana na Jordânia e a promessa de retaliação por Donald Trump, impulsionou uma forte alta no preço do energético. O barril de Brent, referência europeia, saltou 8% até atingir uma máxima intradia de USD 90,81 para contratos com entrega em setembro. Já o WTI avançou 7,2% para USD 84,97 o barril.

Fed mantém juros, mas com tom firme

A autoridade monetária americana decidiu manter a taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, em linha com as expectativas. No entanto, a decisão não foi unânime: três membros votaram a favor de um aumento imediato de 25 pontos-base. O presidente do Fed, Kevin Warsh, projetou um tom decididamente 'hawkish', advertindo que a entidade não tolerará uma inflação persistentemente alta. Isso reavivou as apostas em uma possível alta de juros para outubro.

Mercado argentino: resiliência e boas notícias locais

Apesar do clima global adverso, que empurrou o índice S&P Merval (principal índice da bolsa de Buenos Aires) a recuar 0,7% em pesos, situando-se nos 3.233.105 pontos, houve dados muito animadores no front local. O risco-país elaborado pelo JP Morgan subiu três pontos para 445 pontos-base (após tocar uma máxima intradia de 450), mas mantém-se em níveis historicamente baixos para a gestão atual.


Tesouro consegue amplo rollover

A Secretaria de Finanças teve uma licitação bem-sucedida, adjudicando $12,21 trilhões ARS, o que representa um rollover de 144,5% sobre os vencimentos do dia. Isso significa que o Governo retirará cerca de $3,8 trilhões ARS de liquidez do mercado. Além disso, captou USD 309 milhões através do Bonar 2029 (AO29) com rendimento de 8,33% ao ano.

BCRA volta a comprar divisas e acumula reservas

Após uma pausa na rodada anterior, o Banco Central da República Argentina (BCRA) retomou a compra de dólares, adquirindo USD 36 milhões no mercado oficial. Graças a isso e ao rebote do ouro, as reservas internacionais brutas aumentaram em USD 269 milhões, alcançando um total de USD 49.200 milhões, o montante mais alto desde 7 de julho.

Dólar e ADRs: comportamento misto

No front cambial, o dólar oficial ao público cedeu cinco pesos (-0,2%), fechando em $1.515 ARS para venda no Banco Nación. O dólar blue (mercado paralelo) manteve-se estável em $1.570 ARS, enquanto o dólar mayorista caiu para $1.496 ARS.

Em Wall Street, os ADRs argentinos (recibos de ações negociados nos EUA) fecharam com maioria de baixas moderadas, lideradas por Satellogic (-6,2%) e Banco Supervielle (-2,6%). No entanto, houve grandes ganhadores que mostraram a força de certos setores: Globant avançou notáveis 8,8% e Vista Energy subiu 2,7%, refletindo o impulso do setor energético e tecnológico.

Fontes consultadas: Infobae, Ámbito, Cadena 3 e TN.