Um tributo na praça do herói
Nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, a cidade de Venado Tuerto, na província de Santa Fe, foi o cenário do ato central organizado pelo governo provincial para comemorar o 176º aniversário do Passo à Imortalidade do General José de San Martín. A cerimônia aconteceu na praça que leva o nome do Libertador e reuniu autoridades provinciais, legislativas e municipais, além de instituições educacionais, organizações civis e centenas de moradores que se aproximaram para prestar homenagem ao Pai da Pátria.
O governador Maximiliano Pullaro liderou o ato, acompanhado pela deputada nacional e ex-vice-governadora Gisela Scaglia, pela presidente da Câmara de Deputados, Clara García, e pela senadora do departamento General López, Leticia Di Gregorio. Também estiveram presentes ministros, ministras e secretários do Poder Executivo provincial, bem como legisladores provinciais.
A mensagem de Pullaro: liberdade, trabalho e união
Em seu discurso, o governador santafesino traçou um paralelo entre a gesta sanmartiniana e os desafios atuais da Argentina. “Há homens que em alguns momentos são protagonistas e outros que são protagonistas da história. San Martín é protagonista da história argentina e da América”, afirmou, e lembrou que “foram as ideias de liberdade que o mobilizaram” para acabar com o jugo espanhol.
Pullaro fez referência às cartas que San Martín trocou com o Brigadeiro Estanislao López, caudilho santafesino, e destacou que ambos compartilhavam a ideia de uma pátria livre e unida. “San Martín é o pai da pátria, lutou para ter uma República que tivesse liberdade. Uma pessoa que lutou pela liberdade e batalhou para que os argentinos pudéssemos estar unidos”, enfatizou.
Em um dos trechos mais fortes de sua alocução, o governador convocou a “trabalhar para ter liberdade e igualdade e, neste momento em que a Argentina é observada por seus recursos naturais e humanos, sair para defendê-los. A Argentina tem que gerar trabalho, emprego e crescimento econômico para poder ter a liberdade pela qual San Martín lutou para libertar nossa pátria”.
Além disso, Pullaro reivindicou a gestão pública como parte do legado do Libertador: “Somos filhos de San Martín e do Brigadeiro Estanislao López; devemos honrar seu legado. Temos que trabalhar todos os dias com muito esforço”, e acrescentou que “a austeridade na administração dos recursos públicos é o caminho que ele nos mostrou”. Concluiu sua mensagem com uma convocação à união: “Trabalhemos juntos, unidos, pela liberdade e pela igualdade”.
Um 17 de agosto que une todo o país
O ato em Venado Tuerto se somou às inúmeras celebrações realizadas em toda a Argentina em memória do 176º aniversário da morte do General José de San Martín, ocorrida em 17 de agosto de 1850 em Boulogne-sur-Mer, França. San Martín, nascido em Yapeyú (Corrientes) em 25 de fevereiro de 1778, é considerado o grande arquiteto da independência de Argentina, Chile e Peru. Seu cruzamento dos Andes em 1817, com mais de 5.400 homens, é uma das maiores façanhas militares da história universal.
Em Buenos Aires, o presidente Javier Milei liderou a cerimônia central na Praça San Martín, no bairro de Retiro, com um discurso de forte tom eleitoral e críticas aos 'inimigos internos e externos'. A vice-presidente Victoria Villarruel, por sua vez, homenageou o herói com uma mensagem nas redes sociais, expressando preocupação com 'os argentinos que não chegam ao fim do mês', marcando diferenças com o governo nacional.
Também houve atos e desfiles em várias províncias. Em San Isidro, a Marinha Argentina participou de um desfile cívico-militar liderado pelo prefeito Ramón Lanús, com a Banda de Música da Escola Naval Militar e cadetes do Liceu Naval Almirante Guillermo Brown. Em Salta, as autoridades provinciais e municipais realizaram a cerimônia oficial com oferendas florais, enquanto em Resistencia, a presidente da Câmara de Deputados, Carmen Delgado, participou das homenagens.
A jornada também teve um aspecto turístico: segundo um relatório da CAME, o feriado prolongado deixou um impacto econômico de $245.907 milhões, com mais de um milhão de turistas se deslocando pelo país.
A vigência do legado sanmartiniano
O 17 de agosto é uma das datas mais significativas do calendário patriótico argentino. Este ano, a comemoração foi marcada por discursos que reivindicam a figura de San Martín como símbolo de unidade e trabalho. As palavras de Pullaro em Venado Tuerto sintetizam um sentimento que atravessa o espectro político: a necessidade de honrar o legado do Libertador com ações concretas em prol do desenvolvimento nacional.