Em audiência do julgamento oral dos 'cadernos da corrupção', Héctor Zabaleta, ex-gerente administrativo da Techint, confirmou que a empresa pagou US$ 1 milhão em propinas a Roberto Baratta, ex-subsecretário de Planejamento Federal. O testemunho detalhou o mecanismo de entrega no estacionamento da companhia e a ameaça sofrida por parte do ex-funcionário kirchnerista.

O julgamento dos 'cadernos da corrupção' deu um novo passo nesta terça-feira com o depoimento de Héctor Zabaleta, ex-gerente administrativo da Techint, que confirmou que a empresa pagou US$ 1 milhão em propinas a Roberto Baratta, ex-subsecretário de Planejamento Federal da Argentina. O testemunho, prestado perante o Tribunal Oral Federal 7 (TOF 7), trouxe detalhes inéditos sobre como os pagamentos eram realizados e as pressões sofridas pelo setor privado.

O mecanismo dos pagamentos

Zabaleta, contador de 80 anos, relatou que as entregas de dinheiro eram feitas em pesos argentinos, em pacotes, e sempre no segundo subsolo do estacionamento da sede da Techint, um local estrategicamente escolhido para evitar as câmeras de segurança. Cada entrega girava em torno de 600.000 ou 700.000 pesos, e as datas coincidiam com as anotações de Oscar Centeno, ex-motorista de Baratta que manteve os cadernos que deram origem ao caso.

O ex-gerente explicou que a ordem de pagar vinha de Luis Betnaza, ex-diretor de Relações Institucionais da Techint, que também foi indiciado e depois absolvido em 2021. Ambos depuseram como testemunhas sob juramento, depois de terem sido processados e finalmente liberados das acusações.

A ameaça de Baratta

Um dos momentos mais tensos da audiência foi quando Zabaleta relatou a pressão sofrida por parte de Baratta. Segundo seu depoimento, o ex-funcionário lhe disse: "Você tem que me dar dólares, senão vou cortar o gás na planta de Campana". Essa ameaça, segundo o testemunho, estava ligada à nacionalização da siderúrgica SIDOR na Venezuela, um negócio em que a Techint precisava da intercessão de funcionários kirchneristas para permitir o retorno de seus empregados.

O contexto dos subornos

Os pagamentos a Baratta fazem parte de um esquema de corrupção que teria funcionado durante o kirchnerismo, e que inclui a principal acusada, Cristina Fernández de Kirchner. O caso, conhecido como 'cadernos da corrupção', originou-se das anotações manuscritas de Oscar Centeno, que detalhavam entregas de dinheiro a funcionários do governo anterior.

Incidente processual

Durante a audiência, a defesa de Baratta, liderada por Elizabeth Gómez Alcorta, solicitou confrontar Zabaleta com suas declarações anteriores como 'arrependido' para marcar contradições. O tribunal acolheu o pedido e habilitou a confrontação, o que pode gerar novos elementos no debate.

O julgamento continua e espera-se que nas próximas audiências deponham outras testemunhas-chave. O caso, que investiga o pagamento de propinas a funcionários kirchneristas por parte de empresários, é um dos mais importantes da história judicial argentina.