O ministro da Desregulação e Transformação do Estado da Argentina, Federico Sturzenegger, expressou nesta quinta-feira (27 de agosto de 2026) sua empolgação após a sessão da Câmara dos Deputados do dia anterior, onde foi aprovada a reforma da Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina (BCRA).
Em sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), o funcionário escreveu: "Uma enorme alegria a sessão de ontem na Câmara. A reforma da carta orgânica do Banco Central é um salto institucional de enorme transcendência". E acrescentou: "A impossibilidade do Executivo de remover suas autoridades é chave, pois torna a instituição mais independente do poder político".
O que a reforma implica?
A iniciativa, que agora será analisada pelo Senado, introduz mudanças substanciais no funcionamento do BCRA. O ponto mais destacado é a proibição de que o Poder Executivo remova o presidente e os diretores da entidade sem um procedimento especial, o que busca blindar a autonomia do banco central diante das oscilações políticas.
Essa medida se insere em um contexto global onde a independência dos bancos centrais é considerada uma garantia para a estabilidade monetária e financeira. Na Argentina, a reforma chega em um momento de transição econômica, com o governo de Javier Milei buscando consolidar a desregulação e a estabilização das variáveis macroeconômicas.
Antecedentes e contexto
A Carta Orgânica do BCRA, sancionada originalmente em 1992, já havia sido modificada em 2002 e 2012. A versão atual, que data de 2019, estabelece que a diretoria do banco é composta por um presidente, um vice-presidente e oito diretores, designados pelo Poder Executivo com acordo do Senado. A nova reforma busca reforçar a inamovibilidade dessas autoridades, exceto em casos de mau desempenho ou cometimento de delitos, que deverão ser avaliados por instâncias judiciais ou legislativas.
Segundo especialistas, essa modificação pode ter um impacto positivo na credibilidade internacional do país, alinhando-se às recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros organismos multilaterais que costumam exigir maior autonomia para as entidades monetárias.
Reações e próximos passos
A notícia gerou diversas reações no arco político argentino. Enquanto o oficialismo celebrou o avanço como um passo para a "modernização do Estado", setores da oposição alertaram para possíveis riscos de concentração de poder na entidade monetária. No entanto, Sturzenegger, que foi presidente do BCRA entre 2015 e 2018, insistiu que a medida "fortalece a institucionalidade" e "protege o valor da moeda".
O projeto agora precisa de parecer na Câmara alta, onde o oficialismo buscará os votos necessários para sua aprovação definitiva. Se virar lei, a Argentina dará um passo significativo rumo à consolidação de um banco central mais independente, um tema central no debate econômico dos últimos anos.
Fonte: Publicação na rede social X de Federico Sturzenegger, 27 de agosto de 2026.