Funcionários do Pentágono alertaram o Reino Unido de que, sem um aumento nos gastos com defesa, pode perder o apoio dos EUA na disputa pelas Ilhas Malvinas. A revelação do The Telegraph abala a relação bilateral e inaugura um cenário inédito na diplomacia do Atlântico Sul.

Numa jogada que pode redefinir o equilíbrio diplomático no Atlântico Sul, os Estados Unidos teriam ameaçado o Reino Unido de rever sua postura histórica na disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, segundo revelou nesta sexta-feira (28 de agosto) o jornal britânico The Telegraph. A condição, de acordo com fontes do Pentágono, seria que Londres aumentasse significativamente seus gastos com defesa.

O alerta do Pentágono

De acordo com a reportagem, funcionários do Pentágono transmitiram a seus pares britânicos uma mensagem contundente: se o Reino Unido não elevar seus investimentos militares, corre o risco de perder o respaldo de Washington na disputa diplomática sobre as Malvinas. Um funcionário citado pelo jornal foi categórico: “Espero que o Reino Unido receba atenção especial, porque tem enorme potencial”.

A mensagem se insere na estratégia conhecida como “OTAN 3.0”, impulsionada pela administração de Donald Trump, que busca fazer com que os países europeus e o Canadá assumam maior responsabilidade na defesa convencional. Nesse contexto, as conversações com Londres são descritas como “sinceras”, e os funcionários americanos afirmam que “não se descarta nenhuma opção para fomentar o compartilhamento de encargos que buscamos”.

O plano apresentado pelo Reino Unido foi classificado pelas mesmas fontes como “um passo na direção certa, mas não suficiente”. Segundo os documentos vazados, o país europeu não assumiu o compromisso explícito de destinar 3% do seu PIB à defesa até 2030, uma meta que os EUA consideram crucial. Na verdade, a pressão americana se dá no quadro das metas da OTAN de 3,5% do PIB para defesa e 1,5% adicional para infraestrutura de segurança até 2035.

O que os EUA exigem de seus aliados?

Além do Reino Unido, Alemanha, Espanha e Canadá também receberam advertências semelhantes. A novidade é que, no caso britânico, a questão das Malvinas entra no jogo como moeda de pressão, algo sem precedentes na relação bilateral.

A posição histórica dos EUA sobre as Malvinas

Desde a guerra de 1982, os EUA mantêm uma neutralidade formal na disputa de soberania, mas na prática sempre deram apoio diplomático e militar ao Reino Unido. Agora, essa equação pode mudar, caso a pressão por gastos militares se transforme em decisão concreta.

Ainda que não exista decisão formal de alterar a postura, a advertência foi vista como mais um capítulo da estratégia de negociação de Trump. Em abril de 2026, a agência Reuters já havia informado que os EUA consideravam suspender o apoio à Grã-Bretanha nas Malvinas, com base num e-mail interno do Pentágono ligado ao conflito com o Irã. Na ocasião, o então secretário de Estado Marco Rubio minimizou o episódio, chamando-o de “apenas um e-mail”.

Reação em Londres e a viagem de Milei

No Reino Unido, a notícia gerou preocupação. Veículos como The Times confirmaram a pressão e manifestaram o temor de que Washington use a questão das Malvinas como instrumento de barganha em comércio e segurança. A advertência, dizem, “não pode ser ignorada”.

Enquanto isso, o presidente argentino Javier Milei planeja viajar ao Reino Unido no último trimestre de 2026 para participar de um fórum econômico e de investimentos, visando atrair capital britânico. O roteiro não inclui agenda oficial sobre as Malvinas, mas a nova pressão americana pode dar um contexto inesperado à visita.

Dado-chave: O chanceler argentino, Pablo Quirno, denunciou em agosto uma “operação da oposição e da mídia” por causa da atracação de um navio-tanque britânico no porto de Ushuaia. Além disso, o ex-primeiro-ministro Keir Starmer apoiou uma investigação da FIFA contra jogadores argentinos por exibirem uma bandeira das Malvinas após a semifinal do Mundial.

O que isso significa para a Argentina

Na Casa Rosada, a informação foi recebida com cautela diplomática. O governo reconhece que não há mudança formal na posição americana, mas não esconde a expectativa diante de um possível giro. A comunidade internacional acompanha de perto a evolução dessa pressão, que pode reconfigurar o tabuleiro no Atlântico Sul.

Fonte: The Telegraph (Reino Unido) – 28 de agosto de 2026. A notícia foi adaptada para leitores de língua portuguesa, com contexto adicional sobre a disputa e as relações regionais.