Os enviados de Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, reuniram-se neste fim de semana com Vladimir Putin em Moscou e com Volodymyr Zelensky em Kiev, conseguindo uma trégua temporária de três dias sobre os ataques aéreos às capitais. A missão, considerada um primeiro passo para a paz, deixou compromissos de apoio militar e energético para a Ucrânia, mas sem acordos concretos sobre o conflito.

Em um movimento diplomático sem precedentes desde o início da guerra, os enviados especiais da Casa Branca, Jared Kushner e Steve Witkoff, realizaram uma missão de paz de alto nível que incluiu reuniões com os líderes da Rússia e da Ucrânia. A turnê, que ocorreu entre 5 e 7 de setembro de 2026, buscava reativar um diálogo que parecia estagnado e estabelecer as bases para um eventual cessar-fogo.

Reunião em Moscou: uma primeira aproximação

No sábado, 5 de setembro, Kushner e Witkoff se reuniram no Grande Palácio do Kremlin com o presidente russo, Vladimir Putin, e seus principais assessores. Segundo informações da agência DW, a reunião durou aproximadamente três horas e se concentrou na proposta de paz que a equipe de Trump busca impulsionar. O presidente americano, Donald Trump, havia indicado anteriormente que seus enviados levavam uma proposta concreta para pôr fim ao conflito.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou os contatos como um "pequeno passo em direção à paz" e não descartou retomar o formato de negociações tripartites entre Moscou, Kiev e Washington. Essa postura marca uma mudança sutil na retórica russa, que até agora se mostrava relutante à mediação americana.

Kiev: primeira visita oficial de enviados de Trump

No dia seguinte, domingo, 6 de setembro, os enviados americanos viajaram a Kiev para se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Esta foi a primeira visita oficial de representantes do governo dos EUA à capital ucraniana desde que Trump assumiu seu segundo mandato. Na reunião, também participaram os conselheiros de segurança nacional da Alemanha, França e Reino Unido, o que sublinha o interesse europeu no processo.

Zelensky avaliou positivamente as conversas, embora tenha deixado claro que os temas mais complexos, como o status do Donbás e as questões territoriais, só podem ser resolvidos no nível de líderes. O líder ucraniano também antecipou que, apesar dos esforços diplomáticos, é provável que a guerra se prolongue por mais um inverno.

Trégua de três dias: um gesto simbólico

Um dos resultados mais concretos da missão foi o acordo entre Putin e Zelensky para suspender os ataques aéreos sobre Moscou e Kiev por três dias, a fim de facilitar a visita dos mediadores. Essa trégua, embora limitada, foi vista como um gesto de boa vontade por ambas as partes.

No entanto, a trégua não impediu que ataques noturnos fossem registrados em outras regiões. Segundo relatos, a Rússia lançou 108 drones e mísseis contra a Ucrânia, enquanto as forças ucranianas neutralizaram 258 drones russos. Na cidade de Chuhuiv, três pessoas morreram, e na região russa de Bélgorod, um civil perdeu a vida.

Compromissos de apoio à Ucrânia

Durante as reuniões em Kiev, foram acordadas uma série de medidas de apoio adicional para a Ucrânia, que incluem:

  • Defesa aérea: fornecimento de interceptadores para sistemas Patriot.
  • Sistema energético: ajuda para reparar e fortalecer a rede elétrica ucraniana, danificada pelos ataques russos.
  • Gás natural liquefeito (GNL): fornecimento adicional de GNL americano para reduzir a dependência energética da Rússia.

Além disso, foi acordado repetir a reunião tripartite entre EUA, Europa e Ucrânia nas próximas semanas, o que sugere que o diálogo continuará.

Reações e perspectivas

O enviado americano Steve Witkoff afirmou que ambas as partes devem fazer "concessões" e reduzir diferenças para avançar em direção a um acordo. Por sua vez, Jared Kushner mencionou que estão trabalhando em um "pacote de paz" integral.

Na segunda-feira, 7 de setembro, o Kremlin reagiu à visita e foram reportadas possíveis ligações telefônicas entre Trump, Putin e Zelensky, embora não tenha havido confirmação oficial. A missão não conseguiu um acordo de paz concreto nem uma aproximação definitiva de posições, mas estabeleceu um precedente importante: pela primeira vez em meses, Moscou e Kiev se sentaram à mesma mesa com mediadores americanos.

O conflito, que já dura mais de quatro anos, continua ceifando vidas e gerando deslocamentos em massa. A comunidade internacional observa com cautela esses avanços, esperando que o diálogo possa se traduzir em uma paz duradoura.