Uma noite de nervos em Córdoba
A Copa Argentina voltou a presentear os torcedores com uma definição de tirar o fôlego. No estádio Mario Alberto Kempes, Boca Juniors e Vélez Sarsfield protagonizaram um duelo das oitavas de final que foi decidido nos pênaltis. Após um 0-0 nos 90 minutos, o Xeneize venceu por 4-3 na disputa de pênaltis e garantiu vaga nas quartas de final, onde enfrentará o Racing Club.
A partida, disputada nos dias 2 e 3 de setembro de 2026, mostrou um Boca sólido, mas sem a contundência necessária para furar o bloqueio adversário. O Vélez, por sua vez, teve a chance mais clara nos acréscimos, mas desperdiçou de forma incrível.
O pênalti que poderia mudar a história
Quando o relógio marcava 91 minutos, o atacante do Vélez, Dilan Godoy, teve a classificação nos pés. No entanto, sua finalização acertou a trave direita do goleiro Álvaro Montero, provocando um suspiro de alívio em todo o estádio.
O curioso aconteceu segundos antes: seu companheiro Simón Escobar levantou os braços e começou a correr para abraçar Godoy, como se estivesse comemorando um gol antecipado. O gesto, capturado pelas câmeras, gerou polêmica e virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.
Disputa de pênaltis: Montero, figura absoluta
Na definição por pênaltis, o Boca mostrou sua hierarquia e sua famosa mística nas cobranças. Lautaro Blanco, Kevin Zenón, Leonel Flores e Carlos Palacios converteram suas cobranças, enquanto Enner Valencia desperdiçou a sua.
Pelo lado do Vélez, marcaram Joaquín García, Simón Escobar e Rodrigo Aliendro. Mas Elías Gómez e Thiago Silvero viram suas tentativas frustradas: ambos foram defendidos por um inspirado Montero.
Um detalhe não menor: antes de Gómez e Silvero cobrarem, o árbitro Sebastián Zunino os interrompeu porque, vindo das arquibancadas, estavam sendo usados apontadores laser para atrapalhá-los. A situação adicionou ainda mais tensão a uma noite já eletrizante.
Declarações: Arruabarrena e a mística do Boca
O técnico do Boca, Rodolfo Arruabarrena, não escondeu sua satisfação após a classificação. “Há uma mística do Boca nos pênaltis, uma cota de sorte também”, disse o treinador, que também elogiou a atuação de seu goleiro e do atacante Alan Velasco.
Arruabarrena também falou sobre a condição de Leandro Paredes, que foi substituído aos 85 minutos por causa de um desconforto. “Não é uma lesão grave, foi um aviso. Saiu por precaução”, explicou o técnico, tranquilizando os torcedores.
Por sua vez, Álvaro Montero surpreendeu com uma confissão: “Cometi o pênalti de propósito para poder defendê-lo”, disse o goleiro, mostrando a confiança que o caracteriza.
Boca, com desfalques e calendário exigente
O Xeneize chegou a este confronto com desfalques importantes: Aranda e Delgado não puderam estar presentes. Além disso, a comissão técnica demonstrou preocupação com a condição física de Enner Valencia, que sente um desconforto.
Com a classificação garantida, o Boca já pensa no que vem pela frente: Gimnasia (Mendoza), São Paulo pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana, Central Córdoba e San Lorenzo.
O próximo desafio será contra o Racing nas quartas de final da Copa Argentina, um clássico que promete fortes emoções. O Boca não conquista títulos há três anos e meio, e a esperança de encerrar o jejum segue mais viva do que nunca.
Dados-chave da partida
- Partida: Boca Juniors 0 (4) - Vélez Sarsfield 0 (3)
- Data: 2 e 3 de setembro de 2026
- Estádio: Mario Alberto Kempes, Córdoba
- Árbitro: Sebastián Zunino
- Gols: Não houve nos 90 minutos
- Pênaltis do Boca: Lautaro Blanco, Kevin Zenón, Leonel Flores, Carlos Palacios (Enner Valencia desperdiçou)
- Pênaltis do Vélez: Joaquín García, Simón Escobar, Rodrigo Aliendro (Elías Gómez e Thiago Silvero falharam)
- Destaque: Álvaro Montero (defendeu dois pênaltis)