Fontes: Ámbito, El Agora, Revista Códigos e Noticias de Bariloche
A atividade econômica argentina teria registrado uma desaceleração durante o segundo trimestre de 2026. Segundo projeções de cinco consultorias privadas compiladas pela Bloomberg, o Produto Interno Bruto (PIB) – valor monetário de todos os bens e serviços finais produzidos em um período – teria caído entre 0,5% e 1% em termos dessazonalizados (ajustados para eliminar variações sazonais, como feriados ou clima) em comparação com o primeiro trimestre do ano.
Esse retrocesso contrasta com o desempenho do início de 2026. No primeiro trimestre, a economia cresceu 0,7% trimestral e 2,3% interanual, superando as expectativas do mercado, segundo dados oficiais do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina).
O Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) do Banco Central, divulgado em junho, previa uma expansão de 0,6% para o segundo trimestre – estimativa que ficou desatualizada diante da realidade dos setores produtivos.
- Invecq e Santiago Bulat: contração de 0,6%.
- FMyA (Fernando Marull): cenário mais severo, queda de 1%, impulsionada pelo deterioro da indústria, construção e comércio.
- Romano Group (Salvador Vitelli): queda mais moderada, 0,5%, mas com crescimento interanual de 1,5%.
- Equilibra (Lorenzo Sigaut Gravina): descenso de 0,8% e crescimento interanual de apenas 1%.
- EcoGo (Honorio Zabaleta): contração de 0,6% trimestral e queda interanual de 0,8%.
Economia de duas velocidades
Os economistas apontam que o deterioro não é homogêneo. Enquanto setores ligados a recursos naturais – como agropecuária, mineração e energia – mostram dinamismo, as demais atividades carecem de impulso.
Lorenzo Sigaut Gravina, da Equilibra, alertou que a demanda interna está travada e que setores transacionáveis dependentes da taxa de câmbio, como a construção, estão sendo claramente afetados. Já Honorio Zabaleta, da EcoGo, destacou que o trimestre se sustentou exclusivamente pelas exportações, que cresceram 19,6% interanual e estão voando, compensando em parte a forte queda do consumo e do investimento interno.
Impacto no emprego e nas finanças públicas
O freio produtivo convive com um mercado de trabalho estagnado. Os analistas estimam que a taxa de desemprego do segundo trimestre ficou em 7,7% da População Economicamente Ativa. O problema central é a qualidade do emprego: estão sendo destruídos postos privados formais de qualidade, enquanto se gera emprego no monotributo (regime simplificado para pequenos contribuintes) ou na informalidade, com rendimentos menores.
No plano fiscal, um relatório da Fundación Capital alertou que sustentar o superávit se tornou mais complexo. Em junho de 2026, registrou-se um déficit primário de 0,7 trilhão de pesos argentinos (ARS), enquanto a dívida flutuante teria aumentado 2,2 trilhões de ARS. As receitas caíram 5% real interanual no primeiro semestre.
Paralelamente, o governo teria intervido no mercado cambial para evitar que o dólar atacadista ultrapassasse os 1.500 ARS, injetando 145 milhões de dólares do Tesouro Nacional e vendendo cerca de 1,5 bilhão de dólares em títulos atrelados ao dólar (dollar-linked) durante julho de 2026 – estratégia que gerou debates dentro do próprio oficialismo sobre o nível adequado da taxa de câmbio.
Próximos dados oficiais
As novas projeções do REM serão conhecidas em 6 de agosto de 2026. Para a realidade oficial da economia, o INDEC publicará os números definitivos do PIB do segundo trimestre no próximo 17 de setembro de 2026.