O INDEC confirmou que o IPC de julho subiu 2,1%, acelerando 0,2 ponto em relação a junho e interrompendo três meses de desaceleração. O acumulado anual chega a 19,3% e a variação interanual a 33,8%. Enquanto Caputo comemora a queda histórica em vestuário, economistas debatem se a desinflação continua.

Inflação de julho: 2,1%

O INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina) informou nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, que a inflação de julho foi de 2,1%, uma aceleração de 0,2 ponto percentual em relação ao 1,9% de junho. Isso interrompeu a sequência de três meses de desaceleração.

O acumulado no ano (janeiro a julho) é de 19,3%, e a variação interanual (últimos 12 meses) está em 33,8%.

O que subiu e o que caiu

A divisão com maior aumento foi Recreação e cultura (5%), seguida por Restaurantes e hotéis (2,8%) e Saúde (2,5%). No extremo oposto, Vestuário e calçados caiu 1,3%, a maior queda nominal de toda a série histórica do IPC Nacional (iniciada em janeiro de 2017), segundo destacou o ministro da Economia, Luis Caputo.

Por categorias, o IPC Núcleo subiu 1,8%, os Sazonais saltaram 4,5% (devido a verduras, pacotes turísticos e hospedagem) e os Regulados avançaram 2,1% (transporte público, planos de saúde e eletricidade).

Alimentos: os 10 que mais subiram e os que caíram

A inflação de alimentos e bebidas não alcoólicas foi de 2%, levemente abaixo do nível geral. No acumulado do ano, esse setor subiu 20,1%, superando em 0,8 ponto o IPC geral.

Os produtos que mais aumentaram em julho foram:

  • Abóbora (zapallo): +55,1%
  • Batata: +20,8%
  • Cebola: +17,1%
  • Alface: +10,9%
  • Banana: +7,6%
  • Tomate redondo: +7,3%
  • Ervilhas secas: +5,4%
  • Iogurte firme: +5,2%
  • Queijo sardo: +5,2%
  • Pó para flan: +4,6%

Já os que caíram: Laranja (-7,7%), Limão (-5,5%), Água sem gás (-4,4%), Asado (-1,3%), Café moído (-1,1%), Nalga (-0,8%), Carne moída comum (-0,7%), Erva-mate (-0,6%), Ovos (-0,6%) e Frango inteiro (-0,3%).

O que aconteceu nas regiões

O Grande Buenos Aires foi a região com maior inflação: 2,3%. Na Patagônia, NEA, NOA e Pampeana foi de 2%, enquanto em Cuyo marcou 1,9%. Em todas as regiões, exceto Cuyo, o setor de Alimentos e bebidas foi o de maior impacto.

Caputo defendeu o dado e economistas responderam

O ministro da Economia, Luis Caputo, havia antecipado que julho é um mês sazonalmente alto. Após a divulgação, ele destacou em sua conta no X que a média móvel de 3 meses da variação do IPC Nacional caiu 0,2 ponto em relação a junho e foi a mais baixa desde setembro do ano passado. Também comemorou a queda de 1,3% em vestuário.

No entanto, o economista Alfredo Romano (Romano Group) classificou o dado como "dado ruim" e afirmou que "passar de 33% anual para um dígito não é uma linha reta descendente. É um platô com recaídas". Romano lembrou os fracassos históricos dos processos de desinflação na Argentina e voltou a defender a dolarização.

Por sua vez, Gabriel Caamaño concordou que "o melhor dado do IPC de julho foi o núcleo em 1,8% mensal" e que "não há muita onda alarmista a fazer", mas ironizou sobre a mudança de métrica do governo: "Agora que o núcleo sem carne está amordaçado em algum porão do conurbano, saiu para o ruedo a média móvel de três meses".

O debate expõe duas visões: para o Palácio da Fazenda, importa a trajetória; para os analistas, quanto custa sustentá-la e que margem resta antes que as tensões cambiais, monetárias e de atividade voltem a se infiltrar nos preços.

O que as consultorias esperam para agosto

Segundo a LCG, na primeira semana de agosto a inflação de alimentos foi de 0,6%, e a média das últimas quatro semanas desacelerou para 2,5%. A consultoria Eco Go projeta que a queda no mercado atacadista de frutas, verduras e carnes pode trazer alívio em agosto, que começaria com um arrasto estatístico de 0,7% em alimentos.

As estimativas privadas antecipam que a inflação pode ficar entre 1,6% e 1,8% mensal até o fim do ano, mas tudo dependerá da evolução dos preços regulados e da taxa de câmbio.