O economista Juan Carlos de Pablo, próximo ao presidente argentino Javier Milei, respaldou a estratégia oficial de acumular reservas em dólares e elogiou o superávit comercial recorde. Luis Caputo celebrou sua análise. Com projeções de exportações acima de US$ 100 bilhões e compras do BCRA antes das eleições de 2027, o governo busca blindar-se diante da incerteza internacional.

A Argentina tem passado por uma profunda transformação econômica desde a posse do presidente Javier Milei em dezembro de 2023. Com um programa de ajuste fiscal e liberalização, o governo busca conter a inflação e fortalecer as reservas do Banco Central (BCRA). Nesse cenário, as declarações do economista Juan Carlos de Pablo oferecem uma visão privilegiada das estratégias oficiais.

O apoio do "Profe" ao plano econômico

O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou a análise do economista Juan Carlos de Pablo sobre o programa econômico do governo. Através de sua conta oficial no X, Caputo celebrou a interpretação do especialista: "El Profe entiende todo, siempre" (em espanhol).

De Pablo, um dos economistas mais influentes do entorno do presidente Javier Milei, explicou que o Executivo busca fortalecer a posição de dólares diante da incerteza internacional e de eventuais restrições ao financiamento externo.

"O Poder Executivo percebe que Trump será amigo de Milei, mas não sabemos exatamente onde ele estará em 2026. De Wall Street é melhor não depender, especialmente em épocas eleitorais."

Juan Carlos de Pablo, em entrevista ao La Voz En Vivo

A metáfora do armazeneiro

De Pablo comparou a estratégia oficial a uma atitude preventiva: "O que estão fazendo? O mesmo que alguém faz se acredita que neste fim de semana haverá uma inundação: compra três litros de água em vez de um litro. E é exatamente isso que estão fazendo."

Ele também ressaltou que a administração está "comprando dólares, aproveitando a oportunidade", e destacou o salto no superávit comercial: "No ano passado, tivemos um superávit comercial de 11 bilhões de dólares. Se você perguntasse a qualquer um qual seria a projeção para este ano, diriam 12 bilhões ou até 15 bilhões. Mas estamos chegando a 27 bilhões de dólares."

Segundo ele, o Banco Central da República Argentina (BCRA) "está fazendo como o armazeneiro" que aproveita a oportunidade: "Está fazendo tudo para que no próximo ano não precise nem de Wall Street nem de Trump. Não sabe se vai precisar, mas está fazendo por precaução. Esta é a definição. A definição deve ser vista não no plano das declarações, mas no plano das decisões."

Exportações recordes e reservas

De Pablo estimou que as exportações podem ultrapassar US$ 100 bilhões e analisou o impacto de uma eventual reativação econômica: "Caso, devido à reativação, haja mais importações, ainda assim sobra um superávit comercial fenomenal, além de algum endividamento de empresas privadas para suas próprias decisões. Isso dá uma oferta de dólares realmente fenomenal."

O vice-ministro da Economia, José Luis Daza, projetou que o BCRA incorporará US$ 10 bilhões adicionais às reservas no período anterior às eleições presidenciais de 2027. Segundo ele, o país chegará a essa etapa com uma situação financeira e econômica mais favorável.

No marco do Experiencia IDEA Rosario, Daza estimou que o governo chegará às eleições com maior nível de reservas internacionais, menor inflação, superávit fiscal sustentado e recuperação da atividade econômica.

A chave: oferta e demanda

Para De Pablo, o segredo está na dinâmica de oferta e demanda e na rapidez com que o governo aproveita o contexto: "Entendo qualquer um que diga que o dólar deveria estar em outro nível, mas isso é uma questão de aritmética. Aqui há uma novidade de oferta e demanda que o governo está aproveitando."

Vale lembrar que De Pablo mantém uma relação próxima com Javier Milei e visitou o presidente várias vezes na Quinta de Olivos, onde inclusive compartilharam noites ouvindo ópera.

Fonte: Infobae