O sistema financeiro argentino enfrenta uma onda de críticas pelas altas taxas de juros aplicadas tanto por bancos tradicionais quanto por fintechs e carteiras virtuais (como o popular Mercado Pago na Argentina). Segundo o jornal Clarín, foram registrados mais de 200 reclamos formais considerando essas taxas abusivas, em um contexto de crise de inadimplência que afeta milhões de argentinos.
O contexto: uma inadimplência recorde
A situação ocorre em um cenário onde 5,3 milhões de pessoas têm atrasos superiores a 3 meses em suas obrigações de pagamento. A inadimplência média atinge 17,5%, mas nas carteiras virtuais chega a quase 30%. Além disso, 35% das dívidas impagas já são consideradas irrecuperáveis.
O governador da importante província de Buenos Aires, Axel Kicillof, criticou a gestão do presidente Javier Milei, destacando que 60% dos adultos estão endividados (cerca de 21 milhões de pessoas) e que 6 milhões estão inadimplentes.
Taxas em bancos vs. fintechs
A inadimplência nos bancos subiu de 2,5% para 12,8%, enquanto nas carteiras virtuais escalou de 5,7% para 24,5%. Os cartões de crédito mostram uma inadimplência de 36,4%, e as financeiras chegam a 43%.
Esses números explicam por que o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, classificou as taxas das carteiras virtuais como abusivas, abrindo um debate sobre a regulação do setor.
O que se reclama?
Os reclamos apontam para a falta de transparência e a aplicação de juros punitivos desproporcionais. Muitos usuários denunciam que as taxas efetivas anuais superam amplamente a inflação, que em julho foi de 2,1% mensal e 33,8% interanual na Argentina.
Some-se a isso o impacto da perda de emprego: estima-se que 320.000 postos foram perdidos desde novembro de 2023, e há 50.000 empregadores a menos.
Estamos diante de uma situação insustentável para os devedores, advertem fontes do setor.
A consultoria Fundar informou que mais de 30.000 empresas fecharam desde dezembro de 2023, o que agrava a capacidade de pagamento da população.
Reações e próximos passos: rumo a uma solução
Com esperança de melhorar a situação, o Governo argentino analisa medidas para regular as taxas das carteiras virtuais, embora por enquanto não haja anúncios concretos. O Banco Central da República Argentina (BCRA) poderá intervir se os reclamos continuarem crescendo, buscando proteger os consumidores.
Enquanto isso, os usuários organizam reclamos coletivos e exigem limites para as taxas de financiamento, especialmente em produtos como o Prode do Mercado Pago, que já conta com 11 milhões de usuários.
A situação também afeta os mais jovens: 33% dos menores de 17 anos apostam online e 1 em cada 8 adolescentes endividou-se para apostar, segundo dados sobre ludomania. Há uma crescente conscientização para educar financeiramente e proteger esse público vulnerável.
Fuente: Clarín