As reservas internacionais do Banco Central da Argentina (BCRA) atingiram nesta sexta-feira US$ 50.655 milhões, o nível mais alto desde setembro de 2019. O impulso veio da alta do ouro, enquanto as compras de divisas continuam perdendo força e o dólar atacadista flerta com a marca de $1.500 pesos argentinos.

O Banco Central da República Argentina (BCRA) fechou a semana com uma notícia positiva: as reservas brutas internacionais alcançaram US$ 50.655 milhões, uma máxima em sete anos. No entanto, por trás desse número recorde esconde-se uma realidade mais matizada: as compras oficiais de dólares continuam perdendo impulso e o mercado cambial mostra sinais de tensão.

Segundo informou o Ámbito Finanzas, o estoque bruto subiu US$ 313 milhões na sexta-feira, 21 de agosto, consolidando a recuperação acima dos US$ 50 bilhões. O principal impulso veio do ouro, que avançou 2% para US$ 4.661 por onça, contribuindo com cerca de US$ 170 milhões ao valor contábil das reservas do Banco Central.

Compras do BCRA: o ritmo desacelera

A entidade comandada por Santiago Bausili comprou apenas US$ 23 milhões na sexta-feira, sobre um volume operado de US$ 583 milhões (apenas 4% do total). Com esse resultado, o saldo comprador de agosto chega a US$ 466 milhões e o acumulado de 2026 a US$ 13.793 milhões.

No entanto, a média diária de agosto está em US$ 33 milhões, muito abaixo dos US$ 103 milhões de julho, dos US$ 68 milhões de junho e dos US$ 137 milhões de maio. O BCRA acumulou 16 sessões consecutivas com saldo comprador, mas a velocidade de acumulação diminuiu consideravelmente.

Dólar atacadista: a zona de $1.500 como referência

O dólar atacadista subiu 0,13% e fechou em $1.499, após tocar máximas de $1.500 durante a sessão. Na semana, acumulou uma alta de $11,50, recuperando a queda de $11 da semana anterior.

O tipo de câmbio oficial varejista manteve-se em $1.515 no Banco Nación. O MEP subiu 0,70% para $1.535,08, enquanto o contado com liquidação avançou 0,45% para $1.589,89. O dólar blue fechou estável em $1.550, com uma brecha de 3,40% em relação ao atacadista.

Nota: MEP e contado com liquidação são mecanismos de câmbio usados para obter dólares através de títulos públicos. O dólar blue é o mercado paralelo.

Taxas em alta: o custo de sustentar a estabilidade

A dinâmica cambial foi acompanhada por taxas mais altas. A TAMAR subiu de 25,19% para 26,50%, enquanto a BADLAR avançou de 23% para 24,31%. Esses são indicadores de taxas de juros de referência no mercado argentino. Esse movimento confirma que o mercado de dinheiro opera com liquidez apertada e que o custo dos pesos tornou-se chave para sustentar a estabilidade.

Em futuros, a taxa implícita de agosto ficou em 1,83% mensal (21,91% anualizado) e a de setembro em 1,87% mensal (22,42% anualizado), o que sugere expectativas de um deslizamento moderado do tipo de câmbio.

Risco país: dois lados da mesma moeda

Enquanto as reservas atingiam o máximo, o risco país mostrava uma dinâmica dispar. Na quinta-feira, 20 de agosto, o indicador do JP Morgan fechou em 532 pontos, acumulando três altas consecutivas e seu nível mais alto desde maio. No entanto, na sexta-feira, 21, a tendência se reverteu: o risco país caiu 4,9% para 506 pontos básicos, cortando uma sequência de 13 altas consecutivas, segundo dados de mercado.

Segundo o Infobae, na quinta-feira o BCRA havia feito a maior compra do mês (US$ 89 milhões) e as reservas atingiram US$ 50.342 milhões. Na sexta, com a alta do ouro, o estoque subiu para US$ 50.655 milhões, o nível mais alto desde 6 de setembro de 2019, quando marcou US$ 50.952 milhões.

Contexto e perspectivas

A equipe econômica fixou para 2026 uma meta de acumulação de reservas entre US$ 10 bilhões e US$ 17 bilhões, que o BCRA já cumpriu no início de junho. Ainda assim, não se descarta que as compras cheguem a US$ 17 bilhões, o que seria fundamental para o programa financeiro de Luis Caputo e como poder de fogo diante de eventuais tensões pré-eleitorais.

A estratégia oficial combina compras moderadas, taxas mais firmes e intervenção em futuros para evitar que o atacadista se desordene acima de $1.500. Mas essa administração tem como contrapartida uma menor capacidade de acumulação. O mercado observa com atenção se o Banco Central conseguirá sustentar o ritmo nas próximas semanas.

Fontes: Ámbito Finanzas | Infobae | El Cronista | La Prensa