28/07/2026 04:30 - Entretenimiento
Brenda Asnicar e Laura Esquivel, mundialmente conhecidas pela novela juvenil de sucesso Patito Feo, participaram do programa Sería Increíble, apresentado por Nati Jota na plataforma OLGA. Lá, pela primeira vez em uma entrevista conjunta, falaram publicamente sobre Juan Darthés, seu ex-colega de elenco cuja condenação a seis anos de prisão por abuso sexual foi confirmada em maio de 2026 pela justiça brasileira.
O processo judicial contra Darthés começou formalmente após a corajosa denúncia pública de Thelma Fardín em dezembro de 2018, que relatou ter sido abusada pelo ator durante uma turnê da novela na Nicarágua. Perguntadas se tinham algum indício do que acontecia na época, as atrizes foram sinceras sobre como viveram aquela fase sendo muito jovens.
Asnicar foi contundente ao explicar que, na época, desconheciam a gravidade da situação, embora lembrasse de certos comentários que circulavam no ambiente de produção. 'Nunca soubemos de nada. A verdade é que não conseguia acreditar. Embora de alguma forma acreditasse 100%, porque ele tinha fama de querer pegar a maquiadora, a cabeleireira', relatou.
A atriz também evocou uma cena que ficou gravada em sua memória durante uma das turnês internacionais: 'Lembro de uma maquiadora num corredor dizendo: Cara, esse cara está me... Ele estava à espreita', afirmou, destacando como essas atitudes, normalizadas na época, ganham uma dimensão alarmante hoje.
Por sua vez, Esquivel, que interpretava a filha do personagem de Darthés na novela, descreveu um vínculo diferente com o ator. 'A relação que eu tinha com ele era superpaternal, de pai para filha', explicou. Essa proximidade e a crença em um ambiente seguro dificultaram processar a notícia. 'Havia uma produção que também cuidava das crianças. Era um grupo humano muito bom. Por isso também é difícil acreditar', acrescentou.
Um ponto-chave da conversa foi como as turnês internacionais eram organizadas. Ambas as atrizes destacaram que viajavam acompanhadas por suas mães, uma condição indispensável exigida por suas famílias. 'O resto era muito mais vulnerável. Foi uma exigência nossa. Minha mãe me disse: Você não viaja se eu não for com você', lembrou Asnicar. Esquivel confirmou que também contava com essa proteção. Em retrospecto, ambas reconhecem que essa presença familiar representava uma barreira de cuidado em um contexto onde outros integrantes do elenco ficavam mais expostos.
A conversa também girou em torno do impacto da denúncia e do longo processo que Fardín enfrentou. Esquivel expressou sua empatia: 'É difícil para mim, do lado da Thelma, tudo o que ela passou. Todos os anos que ela teve que lidar com a justiça, indo e vindo. Como você sai na rua? Sair na rua, como as pessoas te olham pelo que você é, pelo que você disse, muito questionada'.
Além disso, lembraram de Calu Rivero, que foi a primeira atriz a falar publicamente sobre Darthés antes da denúncia formal de Fardín, e como na época foi duramente criticada em vez de ouvida, ilustrando um padrão tristemente repetido nesses casos.
A condenação a seis anos de prisão contra Juan Darthés foi confirmada em maio de 2026, quando as autoridades brasileiras rejeitaram os últimos recursos da defesa. O ator se instalou no Brasil após o escândalo inicial.
Alfredo S. Quiroga