31/07/2026 04:30 - Entretenimiento
Desde 29 de julho até 2 de agosto de 2026, a prestigiada Royal Opera House de Londres é palco de um evento histórico para a dança: a estreia de Marianela: Timeless, o primeiro espetáculo totalmente concebido e curado pela bailarina argentina Marianela Núñez.
Aos 44 anos, e após quase três décadas de excelência no Royal Ballet, Núñez apresenta uma noite que a imprensa britânica já qualifica como uma obra-prima. Segundo resenhas de veículos como The Guardian, The Times e London Unattached, a artista exibe uma técnica absolutamente sem atrito e demonstra estar além de qualquer comparação.
O jornal britânico The Guardian gerou grande alvoroço ao apresentar Núñez como a Messi do balé, uma comparação que a bailarina levou com humor e humildade. Para quem não é da Argentina ou não acompanha o futebol, Lionel Messi é considerado o melhor jogador de futebol do mundo e um ícone absoluto no país. A verdade é que deveriam chamá-lo de Núñez do futebol, brincou Marianela em uma entrevista ao veículo inglês.
A conexão com Messi não é apenas anecdótica. Núñez confessou sentir-se identificada com a paixão absoluta do futebolista por sua disciplina: Ele diz: Sou feliz chutando a bola. Eu me identifico totalmente. Me deem minhas sapatilhas e me sinto apaixonada pela dança, declarou. Tamanha é sua admiração que inclusive ingressou nos ensaios com uma camiseta de Messi, segundo relatou em uma entrevista à BBC Mundo.
Núñez chegou a Londres em 1998, com apenas 16 anos, e aos 20 tornou-se primeira bailarina do Royal Ballet, posto que mantém duas décadas depois. Curiosamente, diferentemente de muitos de seus colegas, Marianela nunca teve um representante artístico, uma decisão que lhe permitiu construir sua carreira no seu próprio ritmo. Estou feliz por ter esperado tanto tempo. Na verdade, foi o caminho perfeito, afirmou.
Para este espetáculo, ela escolheu dividir o palco com colegas que marcaram sua trajetória: Vadim Muntagirov, Matthew Ball, William Bracewell e o novo bailarino principal cubano do Royal Ballet, Patricio Revé. A obra conta com orquestra ao vivo e se define como uma carta de amor à companhia e ao público.
Sua dedicação foi agraciada com o Prêmio Laurence Olivier em 2013 e, mais recentemente, em 2025, foi condecorada pelo rei Carlos III com a Ordem do Império Britânico (OBE) por seus serviços à dança.
Mesmo estando no ápice, Marianela sente-se mais plena do que nunca e não pensa em aposentadoria. Nunca imaginei que, com quase 30 anos de carreira, me sentiria tão plena. Ainda me sinto invencível, expressou com emoção. Para quem desejar desfrutar de sua arte na Argentina, a bailarina confirmou que em dezembro de 2026 interpretará O Quebra-Nozes no Teatro Colón de Buenos Aires, o principal templo da ópera e balé no país sul-americano.
Alfredo S. Quiroga