Polêmica na Argentina: família de ex-marido de Moria Casán anuncia ação judicial contra a Netflix
O lançamento da série biográfica sobre Moria Casán na Netflix, ocorrido no último 14 de agosto, prometia ser um passeio pelos momentos mais midiáticos da diva argentina. Porém, poucos dias depois da estreia, a produção já enfrenta sua primeira batalha judicial. A família de Luis Vadalá, terceiro marido da vedete, anunciou que vai processar a plataforma e a produtora pela forma como a ficção retrata o falecido comerciante.
Foi Ingrid Vadalá, filha mais velha de Luis, quem decidiu sair do silêncio e levar o caso aos tribunais. Aos 47 anos, formada em Recursos Humanos e mãe de dois filhos (de 10 e 25 anos), Ingrid sempre manteve um perfil discreto, longe do mundo do espetáculo. Mas a representação do pai na tela a levou a agir: "Tudo o que mostram sinceramente é absurdo e vulgar", disse em uma longa mensagem enviada a Ángel de Brito, apresentador do LAM (América TV).
A caracterização que gerou indignação
A cena que acendeu o estopim mostra Vadalá consumindo drogas em excesso, algo que a filha considera uma violação da privacidade de uma pessoa que não está mais aqui para dar sua versão. "Meu pai não era assim, era um senhor, um homem educado e respeitoso. Tentaram mostrá-lo como uma pessoa grotesca, mal-educada e/ou sem educação", afirmou Ingrid.
A filha do empresário também criticou o uso de suas origens humildes na trama: "Ele nunca escondeu que era um cara de bairro e que trabalhava em sua oficina. Usaram isso para menosprezá-lo, o que me parece uma falta de respeito com qualquer trabalhador comum". E acrescentou: "Meu pai podia ter mil defeitos, mas era um senhor. E digo isso apesar de ter tido muitas diferenças com ele".
O detalhe que complica o argumento: durante o programa, Fefe Bongiorno lembrou que o próprio Vadalá declarou em vida que Moria o havia introduzido ao consumo de cocaína, e De Brito acrescentou: "Vadalá disse algo pior, disse que Moria o colocou na cocaína". Esse antecedente pode ser crucial na estratégia legal da produção.
Uma história vivida de perto
Ingrid Vadalá afirma que a série não tem veracidade histórica e que ela é testemunha direta dos fatos. A relação entre o pai e Moria Casán começou em 1990 em Miami, durou dez anos e terminou em um escândalo midiático com acusações cruzadas. "Vivi essa história bem de perto desde os meus 12 até os 21 anos. Ninguém me contou, eu vivi pessoalmente", disse ela.
Sobre o fim do relacionamento e os rumores de que Vadalá teria ficado com bens da diva, Ingrid foi enfática: "Se realmente tivesse acontecido o que se tenta insinuar, ou seja, que meu pai ficou com algo que não era dele, ele não teria passado pelas dificuldades econômicas que enfrentou depois da separação". Após se afastar do círculo de Casán, Vadalá teve que trabalhar em negócios como uma padaria e uma churrascaria de bairro.
O precedente Monzón e o debate sobre a ficção
No painel do LAM, Denise Dumas trouxe um precedente importante: a série sobre Carlos Monzón e o processo movido pela família do Facha Martel, que aparecia na ficção como o homem que levava drogas para o boxeador. "A família processou, o Facha já tinha morrido, e ganhou de lavada", contou Dumas. Esse precedente pode favorecer a ação dos Vadalá.
Bongiorno, por outro lado, defendeu a perspectiva da série: "Tudo foi tirado das entrevistas que ela deu. É a perspectiva dela sobre o relacionamento. Não é a série do Vadalá". Mas Dumas rebateu: "Se falam do seu pai, talvez você não queira ver algumas coisas".
A ação judicial e seus alcances
Segundo Ángel de Brito, o processo "vai contra a produção, contra a produtora e contra a plataforma". A previsão é que a queixa seja formalizada nesta terça-feira, 18 de agosto. "A lei dá razão a ela. Moria tem o direito de contar o que quiser em sua série e também de arcar com as consequências. Moria sabe disso, a Netflix paga", sentenciou o apresentador.
Por fim, Ingrid Vadalá concluiu com uma mensagem emocionante: "É muito doloroso e injusto que distorçam dessa forma a imagem de uma pessoa que conheci muito bem, que foi muito diferente do que tentam mostrar hoje e que não está mais aqui para se defender".
Ficha do conflito
| Querelante | Ingrid Vadalá, filha mais velha de Luis Vadalá (47 anos) |
| Demandados | Netflix e produtora da série |
| Motivo | Representação "absurda e vulgar" de Luis Vadalá, falecido em 2023 |
| Relação | Vadalá foi o terceiro marido de Moria Casán (casados em 1990, relação de 10 anos) |
| Data de apresentação | Terça-feira, 18 de agosto de 2026 |
| Actor que interpreta Vadalá | Joaquín Ferreira |
| Precedente citado | Processo da família do Facha Martel contra a série sobre Monzón (ganho) |