A série biográfica Moria, lançada na Netflix em 14 de agosto de 2026, colocou novamente a Moria Casán sob os holofotes. A produção percorre sua vida com riqueza de detalhes, incluindo alguns dos capítulos mais sombrios e também os mais celebrados pelo público. Entre eles, a passagem da diva por uma prisão no Paraguai em dezembro de 2015, uma história que hoje é lembrada como exemplo de resiliência.
Em uma entrevista ao Infobae (19/08/2026), a jornalista Andrea Mazzei revelou os bastidores daqueles dias no penal do Bom Pastor. Tudo começou em 27 de julho de 2012, quando Moria se apresentou no Centro de Convenções da Conmebol, em Luque, para o Moria Fashion Show. Lá ela usou um colar e brincos de brilhantes avaliados em 80.000 dólares, que pertenciam ao joalheiro paraguaio Armando Benítez. O acordo, segundo Benítez, incluía pagamento de mil dólares pelo uso; para a diva, era apenas uma colaboração artística.
Ao final do evento, as joias desapareceram. O assistente de Moria, Aldo Galo Soto, explicou que as retirou da vedete porque causavam alergia e as guardou em uma caixa vermelha, mas nunca apareceram. Benítez registrou a denúncia no dia seguinte e a fiscal Celeste Campos Ross ordenou a detenção de Moria quando ela estava prestes a embarcar no aeroporto. Levou-a para a Comissão Metropolitana de Mulheres, passou uma noite e depois foi liberada sem imputação formal, mas a causa permaneceu em aberto.
Três anos depois, a mesma acusação
No segunda-feira, 14 de dezembro de 2015, Moria voltou a Asunción voluntariamente, acompanhada por seus advogados Víctor Stinfale e Matías Morla, para limpar o seu nome. Foi detida no aeroporto Silvio Pettirossi e transferida para o Hospital da Polícia e depois para a Comissão de Mulher. A juíza Dina Marchuk negou a fiança de 210.000 dólares e a enviou para o penal do Bom Pastor, um edifício antigo com pabellones superpoblados.
Mas a surpresa foi que Moria não se rendeu. Recebida com aplausos e identificada com o número 453. As companheiras de cela fizeram suas mãos, pés e cabelo. A diva transformou a cela em um espaço de terapia grupal, ajudou reclusas a se reconciliarem, até testemunhou o amor entre duas presas e prometeu ser madrinha do casamento.
Dormi de um só tirão, tranquila. Acordei maravilhosa. É toda uma experiência. Me faz lembrar quando fazia filmes
Quando a foto dela na cama, sem maquiagem e com seus óculos, disse: “Sou meme, adorei”. Depois, no 23 de dezembro de 2015, recuperou a liberdade após nove dias presa. Em fevereiro de 2018, a causa foi encerrada para sempre.
MeMoria: o livro que expôs suas feridas
A série também reavivou o interesse por MeMoria, a autobiografia que Moria escreveu em 2012 com a editora Grupo Planeta. O livro, que custava apenas $85, hoje está fora de catálogo, mas circulam exemplares usados. O capítulo mais difícil é o abuso sofrido durante a infância, contado de forma crua, assim como seus abortos e a pressão com a cocaína. Em uma crítica da época, o jornalista Lucas Moreno definiu como um “show narcisista redigido com curiosa elegância”.
Cecilia Roth interpreta Moria “desde dentro”
Em conversa com o Clarín (19/08/2026), Cecilia Roth explicou que evitou imitar a gestualidade da One e buscou encontrar o momento anterior à sua máscara: “Fui buscar dentro de Moria esse instante antes de sua gestualidade, que é o ajuste das coisas em sua cabeça”. Roth destacou o amor-próprio de Moria e levou uma frase marcante: “Você tem que entrar no buraco para sair do buraco”. Além disso, revelou que as três Morias (Sofía Gala, Griselda Siciliani e ela) coincidiram em um gesto sem combinar: tocar o coração.
Os “esquecidos” da série
No Puro Show (eltrece, 18/08/2026), analisaram quem ficou de fora da ficção. Marcelo Tinelli não é citado na fase do Bailando. Marina Calabró destacou que Jorge Rial não aparece no frente a frente com Badalá, embora seja mencionado em outro momento. Já Carmen Barbieri lembrou seus confrontos com a diva: “Eu disse Patoruzú para ela e ela disse aquilo para mim”. A série transformou a ausência em um novo tema de conversa, mas também mostrou que Moria sempre é o centro de tudo.