Da 'motoserra' ao manual da casta

O governo do presidente argentino Javier Milei deu um giro pragmático em sua estratégia política de cara às eleições de 2027. Em um movimento que contrasta com seu discurso inicial anti 'casta' (termo usado na Argentina para se referir à classe política tradicional), o oficialismo busca reviver as chapas coletoras e eliminar as primárias obrigatórias, uma tática eleitoral clássica no país sul-americano.

O que são as chapas coletoras?

Para entender a política argentina, é fundamental conhecer este conceito. As chapas coletoras são um mecanismo eleitoral que permite a um candidato a presidente levar em sua mesma cédula (ou chapa) a candidatos de outros espaços políticos ou provinciais. Esta ferramenta, eliminada em 2019 durante o governo de Mauricio Macri, facilitava a conformação de frentes amplas. Agora, o governo de Milei busca readaptar este formato à Boleta Única de Papel (BUP) para somar governadores e aliados estratégicos em uma única chapa.

Santilli à frente das negociações

A peça-chave neste novo tabuleiro é Diego Santilli, que assumiu como Chefe de Gabinete (cargo equivalente a um ministro-chefe ou secretário-geral) em 30 de junho de 2026, em substituição a Manuel Adorni (que renunciou em 27 de junho de 2026). Santilli, um político com vasta experiência, lidera as negociações com os governadores das diferentes províncias argentinas para consensuar a reforma eleitoral antes de setembro de 2026. O projeto também é impulsionado por Karina Milei e Eduardo Lule Menem.

Agenda do 9 de Julho

No meio desta estratégia, Javier Milei viaja à província de Tucumán em 08 de julho de 2026 para participar da vigília do 9 de Julho, data que celebra a Independência da Argentina. Lá, prevê-se que coincida com a vice-presidente Victoria Villarruel, em uma tentativa por mostrar unidade de cara ao segundo semestre do ano.

Fontes: Baseado em informações de lavaca.org e La Gaceta.