Um desafio global que se transforma na era digital

A comemoração do Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, instituído pela ONU em 2013, traz uma mensagem de esperança, mas também um alerta claro: as redes criminosas transferiram suas operações para o ambiente digital. Em todo o mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) estimam que cerca de 50 milhões de pessoas vivem em condições de escravidão moderna, gerando um negócio de 236 bilhões de dólares anuais para o crime organizado.

No entanto, a resposta internacional é contundente. A rede católica Talitha Kum, presente em 113 países, informou que durante 2025 conseguiu alcançar 1,21 milhão de pessoas, um aumento de 30% em relação ao ano anterior, por meio de programas de prevenção, acompanhamento e acesso à justiça. Além disso, ofereceu proteção direta a 27.329 sobreviventes em todo o mundo.

Argentina: 369 pessoas assistidas em 2026

Nos primeiros seis meses de 2026, os órgãos nacionais resgataram ou assistiram 369 pessoas em situação de tráfico. Destas, 342 eram maiores de idade e 27 crianças ou adolescentes; 301 de nacionalidade argentina e as demais estrangeiras.

A Linha 145 (disque-denúncia nacional, gratuita e anônima) recebeu 1.369 denúncias nesse período (mais de 7 por dia). Desde 2008, quando foi sancionada a Lei 26.364, já foram assistidas 22.808 pessoas no país, evidenciando o trabalho persistente do Estado por meio da Procuradoria de Tráfico e Exploração de Pessoas (PROTEX) e da rede REDTRAM.

Redes sociais e videogames: novos cenários de aliciamento

A campanha das Nações Unidas 'Atrapadas/os detrás de la estafa' (Apanhados atrás do golpe) expõe como os criminosos usam redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de videogames para enganar vítimas com falsas ofertas de trabalho, obrigando-as a cometer fraudes digitais sob ameaças e confinamento.

Segundo o Relatório Anual 2024 da Linha 145, de 178 denúncias por aliciamento enganoso, 71 tiveram origem em redes sociais. O perfil das vítimas também muda: em 2024 foram identificadas 930 potenciais vítimas na Argentina, com aumento de homens (439) ligado à exploração laboral rural.

Como agir e prevenir o tráfico

A luta contra o tráfico é responsabilidade de todos. Reconhecer os sinais de alerta — como ofertas de emprego extraordinárias sem requisitos, pedidos de entrega de documentos pessoais ou salários retidos — é o primeiro passo para proteger quem amamos.

  • Linha 145: Atendimento gratuito, anônimo e nacional 24 horas (na Argentina).
  • WhatsApp: +54 9 11 2189-5495
  • Emergências: Ligue 911 se houver perigo imediato.
  • Dados importantes: Não é necessário ser a vítima nem ter provas completas para denunciar. Em 2024, 77,2% das denúncias foram anônimas e 1.382 resultaram em investigações judiciais.