Um fenômeno em plena expansão

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão das Nações Unidas, confirmou que o fenômeno El Niño está se intensificando rapidamente no Pacífico oeste. Prevê-se que atinja uma fase forte entre os meses de agosto e outubro de 2026, com anomalias médias sazonais da temperatura da superfície do mar superiores a 2,9 °C nas regiões-chave de monitoramento.

O que é o El Niño e por que ocorre?

O El Niño é um fenômeno climático natural que faz parte do ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS). Ocorre pelo enfraquecimento dos ventos alísios sobre o oceano Pacífico equatorial, favorecendo o aquecimento das águas superficiais. Como explicou Pedro Di Nezio, diretor do Serviço Meteorológico Nacional (SMN) argentino, são mudanças imprevisíveis e aleatórias onde os ventos se enfraquecem e o calor se acumula, gerando um efeito de loop que altera a circulação atmosférica global.

Contexto global: O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o El Niño não está apenas batendo à porta, mas já está dentro de casa aumentando a temperatura. Ele advertiu que os combustíveis fósseis estão avivando as chamas dessa crise e sua expansão deve ser interrompida.

Impactos na Argentina: riscos e oportunidades

Para o país, os efeitos não serão uniformes, apresentando tanto desafios quanto oportunidades muito esperadas em diversas regiões:

  • Litoral e Centro: Aumentam as probabilidades de chuvas intensas, cheias de rios e inundações, com tempestades de forte intensidade que exigirão preparação. (O Litoral argentino abrange as províncias de Buenos Aires, Entre Ríos, Santa Fe, Corrientes e Misiones; o Centro inclui Córdoba, La Pampa e parte de Buenos Aires.)
  • Cuyo: O fenômeno pode contribuir para aliviar a histórica seca que afeta a região há mais de 15 anos, uma notícia alentadora para as províncias de Mendoza, San Juan, San Luis e La Rioja.
  • Patagônia Norte: Esperam-se temperaturas superiores aos valores normais, que podem chegar a 45 °C em Neuquén, norte de Río Negro e leste de Chubut.

Preparação e ação do governo

O governo argentino já iniciou sua estratégia de coordenação, publicando o Plano de Coordenação Federal ENOS 2026/2027. Este programa, liderado pela Agência Federal de Emergências (AFE), foca na prevenção e atendimento de tempestades extremas na bacia do Rio da Prata, abrangendo as províncias de Misiones, Corrientes, Santa Fe, Entre Ríos e Buenos Aires.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a importância da antecipação, afirmando que as previsões por si só não previnem os perigos, mas sim as pessoas. As decisões tomadas hoje determinarão os impactos que serão experimentados amanhã.

Um olhar otimista para o campo

Para o setor agrícola, as chuvas são em sua maioria bem-vindas. Na zona núcleo (entre Junín e Rosário), julho fechou com precipitações deficitárias de apenas 10 a 20 mm. Com o El Niño em pleno desenvolvimento, antecipam-se acumulados de 30 a 75 mm no nordeste de Buenos Aires, Santa Fe e Entre Ríos, o que melhorará significativamente as condições do solo para as próximas safras.

Fontes: Infobae, La Nación, Filo.news, Agrofy.