ÚLTIMAS
Milei anuncia reforma da Carta Orgânica do BCRA na quinta-feira Santa Fe oficializa por decreto aumento salarial para docentes e policiais Tragédia em Foz do Iguaçu: quem era Mark Lensink, o jovem turista holandês que morreu Keiko Fujimori assume presidência do Peru com plano histórico e apoio regional Mistério no Quênia: Investigam a morte inexplicável de 15 elefantes no Parque Nacional Amboseli Genética e colesterol: por que dietas com baixo carboidrato não funcionam igual para todos Dia Mundial contra a Hepatite: alerta para queda na vacinação e importância da prevenção River Plate visita Gimnasia em La Plata: Coudet retorna e busca reação no Clausura Tigre sofre mas avança às oitavas da Sul-Americana; Pity Martínez explode nas redes O golaço de calcanhar de Mallo que o VAR anulou no empate do Central com o Racing Milei anuncia reforma da Carta Orgânica do BCRA na quinta-feira Santa Fe oficializa por decreto aumento salarial para docentes e policiais Tragédia em Foz do Iguaçu: quem era Mark Lensink, o jovem turista holandês que morreu Keiko Fujimori assume presidência do Peru com plano histórico e apoio regional Mistério no Quênia: Investigam a morte inexplicável de 15 elefantes no Parque Nacional Amboseli Genética e colesterol: por que dietas com baixo carboidrato não funcionam igual para todos Dia Mundial contra a Hepatite: alerta para queda na vacinação e importância da prevenção River Plate visita Gimnasia em La Plata: Coudet retorna e busca reação no Clausura Tigre sofre mas avança às oitavas da Sul-Americana; Pity Martínez explode nas redes O golaço de calcanhar de Mallo que o VAR anulou no empate do Central com o Racing
Español English 中文 Português Français Italiano Deutsch العربية Русский اردو

Europa em chamas: os incêndios florestais mais devastadores da história que estão reescrevendo o futuro do continente

28/07/2026 09:11 - Internacionales

🔥 Uma crise sem precedentes na história europeia

O verão boreal de 2026 passará à história como o ponto de inflexão climático da Europa. Os números são estarrecedores: 254.000 hectares queimados em toda a União Europeia, 350.000 pessoas deslocadas e um fenômeno meteorológico jamais visto no continente que gerou seu próprio clima de tempestade.

As autoridades francesas e espanholas trabalham contra o relógio enquanto a simultaneidade dos incêndios colapsa o sistema de resposta solidária da UE. O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a situação como a mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.

França: o megaincêndio de Gironda

Os números do desastre

No departamento de Gironda, perto de Bordeaux (Burdeos), o incêndio principal já devorou 42.000 hectares e mantém em suspense toda a região. As autoridades francesas elevaram o número de evacuados para mais de 250.000 pessoas, após ordenar a saída urgente de outros 55.000 residentes nos arredores de Bordeaux.

O ministro do Interior francês, Laurent Núñez, confirmou que o país já registra um recorde histórico com 98.000 hectares queimados no ano, superando amplamente os 70.000 hectares de toda a temporada de 2022. Foram registrados 13.566 incêndios ou focos de fogo desde o início da temporada, quantidade classificada como 'sem precedentes'.

O fenômeno das 'nuvens de fogo'

O incêndio de Gironda é tão extremo que gerou um fenômeno meteorológico nunca antes visto na França: os pirocumulonimbos, também chamados de 'dragões de nuvens'. São nuvens gigantescas que se formam quando o calor dos incêndios sobe à atmosfera superior e, ao esfriar, condensa em imponentes nuvens de tempestade capazes de gerar seu próprio clima: chuva, vento e até relâmpagos.

O chefe dos Bombeiros de Gironda, Mark Vermeulen, declarou: 'É um fenômeno que nunca vimos na França'. Essas nuvens são perigosas porque podem acelerar a propagação das chamas e provocar novos incêndios com seus relâmpagos.

Espanha: o maior incêndio de sua história

O megaincêndio de Ávila-Madri

A confluência das frentes da província de Ávila e da Comunidade de Madri criou um megaincêndio unificado com um perímetro instável de 160 quilômetros que arrasou mais de 78.000 hectares. Só em Ávila queimaram pelo menos 50.000 hectares, tornando-se o maior sinistro florestal da Espanha de todos os tempos.

Na Comunidade de Madri, 28.000 hectares foram arrasados e mais de 55.000 pessoas foram evacuadas ou confinadas. No total, mais de 91.000 pessoas foram afetadas no eixo Ávila-Madri-Toledo, das quais 63.000 foram evacuadas com urgência.

A frente de Castellón

Na Comunidade Valenciana, o incêndio de La Vall d'Uixó (Castellón) acumula 7.500 hectares e mantém confinadas outras 16.000 pessoas. Os bombeiros enfrentam um risco adicional: artefatos explosivos não detonados da Guerra Civil Espanhola espalhados pela paisagem montanhosa.

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou os incêndios como 'a expressão mais dolorosa da emergência climática' e admitiu que 'restam horas difíceis e complexas'. Sánchez visitou o posto de comando em Castellón e solicitou um pacto nacional contra a mudança climática.

Dado chave: A Espanha supera os 172.000 hectares queimados em 2026, quase seis vezes mais que os 29.817 hectares do mesmo período de 2025.

O colapso do escudo europeu de emergências

A simultaneidade dos incêndios na Espanha, França e Itália colocou em xeque a estratégia de resposta solidária da União Europeia. O Centro de Coordenação de Resposta a Emergências (ERCC) de Bruxelas trabalha sob uma pressão logística sem precedentes, obrigado a fragmentar e enviar os recursos aéreos de forma paralela a múltiplas frentes críticas.

A comissária de Gestão de Crises da UE, Hadja Lahbib, advertiu que a resposta aérea tem um limite intransponível: diante de fogos que avançam centenas de metros por hora e superam os 15 metros de altura, aumentar o número de aviões não resolverá a crise se os Estados-membros não investirem em políticas estruturais de prevenção.

A frota aérea europeia

A França mobilizou 67 aeronaves, um recorde histórico. No entanto, os hidroaviões Canadair têm uma idade média de 30 anos, e os novos modelos não chegarão antes de 2028-2033. A empresa Avincis, maior operador europeu de serviços aéreos de emergência, advertiu que a Europa não está preparada para temporadas de incêndios mais longas e extremas.

As temporadas de incêndios se estenderam: antes eram de 3-4 meses, agora as aeronaves operam de março a outubro. Além disso, há escassez de pilotos experientes e obstáculos burocráticos para incorporar pessoal do âmbito militar.

Cooperação internacional ativa

Bruxelas reajusta os planos de voo da frota comunitária a cada hora:

  • Grécia e Turquia operam na frente espanhola
  • República Tcheca, Croácia, Alemanha e Suécia apoiam no sudoeste francês
  • Helicópteros Black Hawk tchecos recolhem água da baía de Arcachon
  • Portugal envia brigadas para a Espanha apesar de manter seus próprios incêndios ativos

Itália e Portugal: a crise se estende

A ilha da Sicília registrou dezenas de incêndios após atingir uma temperatura máxima de 48,4°C em Casteltermini, o recorde térmico do ano no continente europeu. Na localidade de Peschici (Puglia), 400 turistas foram evacuados por mar. O Papa Leão XIV pediu orações pelas vítimas.

Portugal mantém 6 incêndios ativos em seu território enquanto envia brigadas para a Espanha, demonstrando a interconexão da crise. O sistema europeu de solidariedade é superado porque os países que habitualmente prestam auxílio também enfrentam suas próprias emergências internas.

Por que os incêndios são tão ferozes em 2026?

Os cientistas apontam uma combinação de fatores que transformou a Europa num barril de pólvora:

🌡️

Calor extremo

A Europa é o continente que aquece mais rapidamente. Em 2026, a França experimentou 3,4 vezes mais incêndios que sua média anual, e a Espanha 1,7 vezes mais, segundo o Copernicus.

🌧️

Inverno chuvoso

Um inverno excepcionalmente chuvoso propiciou abundante vegetação nova, que o calor extremo converteu em combustível seco de alta inflamabilidade.

🏜️

Seca estrutural

A umidade do solo na França é a mais baixa já registrada tão cedo no verão, segundo a Météo-France. A paisagem está completamente seca.

O cientista Juli G. Pausas, do Centro de Pesquisa sobre Desertificação de Valência, afirmou: 'Os incêndios atuais são exatamente o que esperávamos. Durante décadas se advertiu que se continuarmos aumentando as temperaturas, as consequências poderiam ser muito graves'.

O panorama meteorológico: vem a quarta onda de calor

As autoridades de ambos os países se preparam para um novo aumento drástico de temperaturas a partir de 30 de julho de 2026, que será a quarta onda de calor do verão europeu:

RegiãoTemperatura esperadaMédia histórica
Bordeaux, França40°C (quarta-feira)29°C
Madri, Espanha38°C (resto da semana)~33°C
Gironda e Landes, França37-38°C29°C

A AEMET (Agência Estatal de Meteorologia da Espanha) advertiu que a onda de calor será 'prolongada', pelo menos até domingo, e que o risco de incêndios aumentará a 'níveis extremos'. Não se preveem chuvas significativas que aliviem a seca.

Vozes do terreno: histórias de resiliência

A perda de um saiote centenário

Paloma Calles Zamora, de 67 anos, perdeu sua casa em San Martín de Valdeiglesias (Madri). Entre o que mais lhe dói: um saiote de batismo de mais de 100 anos que se transmitia de geração em geração. 'Ajuda das autoridades? Nenhuma. Comunicação? Nenhuma', declarou. Mas encerrou com uma mensagem esperançosa: 'Vamos recomeçar'.

O inferno à meia-noite

Daniela Privantu, de 40 anos e residente de La Vall d'Uixó (Castellón), descreveu como as chamas desciam da montanha em direção à sua casa: 'Por volta da meia-noite, começou o inferno'. Os bombeiros usaram água de uma piscina próxima e as chamas pararam a 100 metros de sua casa. 'A casa sobreviveu, mas não há palavras para descrever o que o fogo nos fez', disse.

Recomendações para viajantes

As autoridades de ambos os países emitiram recomendações para turistas:

  • França: A prefeita de Gironda, Sophie Brocas, instou os turistas a 'não virem' ao sudoeste, embora a ministra Éléonore Caroit tenha pedido para não cancelar férias, já que a maior parte do país permanece intacta.
  • Espanha: O governo de Madri desaconselhou viagens a zonas afetadas, incluindo represas próximas. Não há proibição geral.
  • EUA: Sua embaixada na Espanha desaconselhou 'todas as viagens desnecessárias' a zonas afetadas.
  • Reino Unido: Não desaconselhou viajar, mas sugeriu consultar alojamentos e agências antes de se deslocar.

As autoridades locais recomendam a quem se encontra em zonas de risco: permanecer em casa com portas e janelas fechadas, evitar exercícios ao ar livre, usar máscara em exteriores e manter-se hidratado. A França enviou milhões de máscaras FFP2 às regiões afetadas pela poluição atmosférica, que em Bordeaux chegou a ser seis vezes superior aos níveis de segurança da OMS.

Rumo ao futuro: reconstruir e prevenir

O presidente Macron assegurou que será necessário 'replantar e reconstruir uma floresta diferente', adaptada à mudança climática e à crescente pressão urbana e turística. A UE encomendou uma nova remessa de hidroaviões Canadair, mas os atrasos na fabricação impedirão receber as primeiras unidades antes de 2027, com implantação total apenas em 2030.

Apesar da magnitude do desastre, as equipes de emergência continuam lutando incansavelmente. Macron emitiu uma mensagem de unidade: 'Vamos aguentar nos próximos dias e a chave é resistir'. Na Espanha, o governo trabalha em um pacote de 80 medidas para preparar o país diante de fenômenos extremos.

Fontes: CNN Español, Infobae, El Día.

Notícias de Hoje
A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga