31/07/2026 09:37 - Internacionales
Ceuta é uma cidade autônoma espanhola localizada na costa norte da África, com cerca de 83.500 habitantes. Por sua posição geográfica, é uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam chegar à Europa. No final de julho de 2026, uma onda migratória sem precedentes tomou conta da região: mais de 40.000 pessoas cruzaram a nado a fronteira marítima com Marrocos em menos de dois dias, segundo informações dos jornais Infobae e Perfil.
O gatilho para essa avalanche teria sido uma decisão do Tribunal Supremo da Espanha que proibiu as chamadas “devoluções em quente” (expulsões imediatas de migrantes no mar). Com isso, muitos acreditaram que poderiam tentar a travessia sem serem imediatamente rechaçados. O resultado foi trágico: pelo menos 34 pessoas morreram na tentativa de chegar a território europeu.
O governo espanhol, liderado pelo presidente Pedro Sánchez, enviou o Exército e a Guarda Civil para conter a situação. O próprio Sánchez e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, viajaram a Ceuta, onde foram recebidos com protestos e pedidos de renúncia por parte de moradores locais.
A crise rapidamente se transformou em um conflito diplomático no bloco europeu. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, foi a voz mais dura, anunciando que seu governo estuda restabelecer controles fronteiriços com a Espanha, suspendendo temporariamente a livre circulação de pessoas garantida pelo espaço Schengen.
As imagens vindas de Ceuta são chocantes e mostram que a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça real à segurança das fronteiras europeias.
A posição italiana foi apoiada por Finlândia (ministra do Interior Mari Rantanen), Dinamarca (primeira-ministra Mette Frederiksen) e Suécia. A França, por meio do ministro do Interior Laurent Nuñez, reforçou os controles na fronteira com a Espanha. Os Países Baixos também manifestaram preocupação.
Além disso, segundo o Perfil, funcionários do governo dos Estados Unidos manifestaram apoio público à posição italiana, ampliando o alcance internacional do conflito.
O chanceler espanhol, José Manuel Albares, convocou o embaixador italiano em Madri, classificando as acusações de “inapropriadas”. A Espanha insiste que a solução exige cooperação internacional, não medidas unilaterais.
A Comissão Europeia ofereceu apoio financeiro e operacional por meio da agência Frontex. O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou a importância de respeitar os direitos e a dignidade dos migrantes em Ceuta.
O espaço Schengen é uma área de livre circulação entre 27 países europeus, onde não há controles de passaporte nas fronteiras internas. Especialistas em direito europeu explicam que a Itália não pode expulsar a Espanha do acordo, mas a legislação permite que um país restabeleça controles temporários em caso de ameaça grave à ordem pública. Isso significaria mais verificações em aeroportos e portos, mas não o fim da livre circulação no bloco.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia em solo africano. Por décadas, têm sido pontos de entrada para migrantes que fogem de conflitos, pobreza ou perseguições. Marrocos, que faz fronteira com Ceuta, muitas vezes usa o fluxo migratório como instrumento de pressão política. A situação atual é considerada a mais grave desde a crise de 2021, quando cerca de 8.000 pessoas entraram em um único dia.
Alfredo S. Quiroga