01/08/2026 03:39 - Internacionales
A cidade autônoma de Ceuta, no norte da África, enfrenta neste 1 de agosto de 2026 as sequelas de uma crise migratória sem precedentes, mas com sinais encorajadores de recuperação. Após a entrada massiva de cerca de 50.000 pessoas provenientes de Marrocos em menos de 48 horas, o Ministério do Interior espanhol informou que a noite transcorreu com total normalidade e que as entradas foram interrompidas.
O balanço da tragédia, infelizmente, deixa pelo menos 57 vítimas mortais por afogamento. No entanto, a rápida cooperação entre Espanha e Marrocos permitiu que 48.300 migrantes regressassem voluntariamente a Marrocos a um ritmo de 150 por minuto, segundo dados oficiais atualizados em 31 de julho de 2026. Este retorno massivo demonstra a eficácia dos acordos bilaterais para restabelecer a ordem.
Com o objetivo de garantir a segurança e prevenir futuros episódios, começaram a ser instaladas neste sábado barreiras de contenção no esporão de El Tarajal. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, deslocaram-se à zona para supervisionar as operações e reunir-se com comandos da Polícia Nacional e da Guarda Civil.
Por sua vez, Marrocos prendeu 70 pessoas ligadas a incidentes violentos durante a crise, incluindo tentativas de homicídio e danos a bens públicos. Muitos migrantes decidiram regressar ao não encontrar recursos em Ceuta, destacando um espírito de resiliência e busca de melhores oportunidades de forma pacífica.
O espaço Schengen é um acordo entre vários países europeus que suprime os controlos nas fronteiras internas, permitindo a livre circulação de pessoas. Atualmente, perante crises excecionais, os países podem reintroduzir controlos temporários por motivos de segurança.
A crise eclodiu após uma sentença do Tribunal Supremo de Espanha que proibiu as 'devoluções a quente' no mar. Máfias e organizações criminosas instrumentalizaram esta informação com rumores nas redes sociais e uma calmaria marítima invulgar, provocando a avalanche.
A crise teve repercussões diplomáticas imediatas na Europa. O governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, decidiu suspender temporariamente o acordo de livre circulação Schengen com Espanha por um mês, a partir de 1 de agosto de 2026. A medida implica controlos aleatórios a viajantes extracomunitários em portos e aeroportos.
O chanceler italiano, Antonio Tajani, defendeu a medida no X (antigo Twitter) como um passo necessário para defender as fronteiras europeias. No entanto, isto gerou um cruzamento de declarações com o governo espanhol. O chanceler espanhol, José Manuel Albares, convocou o embaixador italiano e lamentou a 'demagogia partidista', recordando que Ceuta é um enclave africano sem livre circulação para a península.
No meio da tensão, o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, ofereceu uma postura conciliadora. Embora tenha criticado as políticas migratórias 'laxas' de alguns governos europeus, Fico rejeitou a exclusão de Espanha do espaço Schengen e solidarizou-se com Madrid, oferecendo ajuda policial e técnica para salvaguardar as fronteiras.
O presidente espanhol, Pedro Sánchez, utilizou dados da Frontex para enfatizar a necessidade de cooperação: entre 2021 e 2026, a Itália registou 478.600 entradas irregulares, contra 234.760 de Espanha. Sánchez enfatizou que 'não é tempo de dividir, mas de continuar a construir uma UE forte e unida', um sentimento partilhado pela Comissão Europeia, que apoiou a gestão de Espanha e confirmou que nenhum migrante conseguiu avançar para o continente europeu.
Alfredo S. Quiroga