O novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, embarca em uma turnê nacional para reconectar com o público e apresentar seu plano de 10 anos de esperança. Sindicatos exigem que ele pressione Donald Trump para frear o conflito com o Irã e aliviar as contas de energia.

Um plano de 10 anos para trazer esperança

Publicado em 09 de agosto de 2026.

O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, iniciará esta semana uma turnê nacional com o objetivo de reconectar o governo à cidadania britânica. Para quem não acompanha a política local, Burnham sucedeu Keir Starmer no mês passado (julho de 2026). Ele apresentará o que descreve como um plano de 10 anos para trazer esperança, focado em aliviar a crise do custo de vida e revitalizar as 'high streets' (as tradicionais ruas comerciais do país, que são o coração econômico das cidades britânicas).

Segundo o jornal The Guardian, Burnham está em modo de escuta e planeia visitar áreas onde o Partido Trabalhista perdeu apoio na última década, bem como regiões afetadas pelo declínio industrial. Espera-se que Port Talbot, no sul de Gales, seja uma das paradas, após o encerramento do seu último alto-forno em 2024, um golpe duro para a indústria siderúrgica local.

Westminster se acostumou a dizer às pessoas que os incômodos cotidianos devem ser aceitos como parte da vida. Ele não acredita que isso esteja certo.

Porta-voz de Andy Burnham

A exigência sindical: pressão sobre Trump e a guerra com o Irã

Paralelamente, líderes de 10 sindicatos britânicos, que representam mais de 2,3 milhões de trabalhadores, enviaram uma carta a Burnham instando-o a abordar a crise do custo de vida na sua origem: pressionando o presidente dos EUA, Donald Trump, para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.

Os sindicatos, liderados pela Unison e pela National Education Union (duas das maiores organizações de trabalhadores do Reino Unido), solicitaram ao primeiro-ministro que revogue a permissão para que os EUA utilizem bases da RAF (a Força Aérea Real britânica, como a base de RAF Fairford em Gloucestershire e o território do Oceano Índico de Diego Garcia) para lançar ataques aéreos contra o Irã. Argumentam que o conflito, iniciado em 28 de fevereiro de 2026, está encarecendo a vida dos britânicos.

De acordo com o documento, desde o início da guerra, a residência britânica média viu um aumento de £221 na sua fatura anual de energia, enquanto as contas mensais de alimentos estão previstas para subir £32,80.

Postura do Governo

O chanceler britânico (ministro das Relações Exteriores), Ed Miliband, visitou Washington esta semana e reuniu-se com seu homólogo estadunidense, Marco Rubio. Miliband esclareceu que o Reino Unido não se juntou a ações ofensivas, mas permitiu o uso de suas bases para a defesa de aliados no Golfo. Sua prioridade é alcançar um cessar-fogo duradouro que permita estabilizar os preços do petróleo.

Críticas da oposição

O chanceler na oposição (membro do Partido Conservador), Mel Stride, acusou Burnham de hipocrisia e de fazer anúncios vagos, culpando as políticas do Partido Trabalhista por prejudicar o comércio local. Por sua vez, a liberal-democrata Daisy Cooper qualificou a turnê como uma viagem de vaidade.

Fontes: The Guardian - Sindicatos | The Guardian - Turnê de Burnham