Irã exige concessões dos EUA para desbloquear o Estreito de Ormuz
Publicado em 10 de agosto de 2026.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, por meio de seu secretário Mohammad Bagher Zolghadr, emitiu neste fim de semana uma declaração categórica: o Estreito de Ormuz não será reaberto até que os Estados Unidos "corrijam seu comportamento". As exigências iranianas incluem o fim permanente da guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026, o levantamento do bloqueio naval aos portos iranianos, a retirada militar da região, o pagamento de compensações por danos, a eliminação das sanções e a liberação incondicional de fundos congelados.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reconheceu que estão próximos de um acordo de navegação com Omã, mas alertou que a reabertura da passagem marítima está condicionada à satisfação de outras demandas. Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, considera que este é o melhor momento para alcançar um entendimento devido à coesão interna do país.
Ataque contra navio dos Emirados
Paralelamente às negociações, os Emirados Árabes Unidos (EAU) denunciaram que um de seus navios, pertencente à estatal petrolífera Adnoc, foi alvo de um ataque com mísseis iranianos nas primeiras horas de sábado, 8 de agosto. A empresa confirmou que não houve vítimas fatais desta vez, mas lembrou que mais de uma dúzia de suas embarcações foram atacadas desde fevereiro, deixando um tripulante morto e 20 feridos em incidentes anteriores.
Houthis atacam refinaria da Aramco na Arábia Saudita
O cenário de instabilidade se expandiu no domingo, 9 de agosto, quando os houthis do Iêmen, aliados de Teerã, reivindicaram um ataque com drones contra a refinaria de Jizán, operada pela petrolífera estatal saudita Aramco. O Ministério de Energia saudita informou que um incêndio foi deflagrado e posteriormente extinto, sem relatos de feridos. O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, confirmou a autoria através da rede social X.
Este ataque ocorre apenas dois dias depois de a Arábia Saudita assinar um pacto de defesa conjunta com Turquia e Paquistão diante da crescente instabilidade regional. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, esclareceu que a aliança não é dirigida especificamente contra o Irã, mas sim uma garantia de segurança mútua.
O papel de Omã e o futuro das negociações
O Sultanato de Omã atua como mediador entre Irã e Estados Unidos, classificando o tom das conversas como "positivo e construtivo". Segundo o memorando de entendimento assinado em junho, um cronograma para o levantamento das sanções e um plano de compensação deveriam fazer parte do acordo final. No entanto, o prazo inicial de 60 dias para alcançar um pacto definitivo está prestes a expirar.
Antes do conflito, o Estreito de Ormuz era uma rota livre de pedágios e crucial para o fornecimento global de petróleo e gás natural. O atual bloqueio efetivo imposto por Teerã e os contínuos ataques a embarcações comerciais mantiveram os trânsitos em níveis mínimos, aumentando a incerteza nos mercados energéticos mundiais.