Termômetros em vermelho: O efeito domo de calor na Europa
Conforme informou o The Guardian, na primeira semana de agosto de 2026, países do centro e leste da Europa, como Eslováquia, Áustria e Hungria, registram temperaturas que superam os 42°C. A Eslováquia alcança um novo recorde máximo de 42,2°C na cidade de Dolné Plachtince. A Hungria registra um pico de 41,8°C, quebrando um recorde que persistia desde 1905. Na Áustria, o termômetro chegará aos 41,2°C.
Este fenômeno é impulsionado por um domo de calor, um sistema de alta pressão atmosférica que atua como uma tampa, aprisionando o ar quente próximo à superfície. Isso resulta até mesmo em noites tropicais, onde as temperaturas não caem abaixo de 28°C. Embora a situação seja alarmante, estes eventos servem como um chamado à ação para acelerar a transição para energias mais limpas e sustentáveis.
O Danúbio a descoberto: História e energia
O calor prolongado seca o solo e a vegetação, levando o rio Danúbio — o segundo maior rio da Europa, que atravessa 10 países — ao seu nível mais baixo da história. Curiosamente, essa redução do nível da água permite descobrir maravilhas do passado, como ossos de mamute lanudo, navios da Segunda Guerra Mundial e os restos de uma ponte da era romana, construída pelo imperador Constantino.
No entanto, a falta d'água apresenta grandes desafios para a infraestrutura. A escassez de água para refrigeração força a Polônia a fechar suas usinas de carvão de Kozienice e Połaniec, que utilizam as águas do rio Vístula (o maior rio da Polônia), removendo 1,3 GW de seu sistema elétrico. As usinas nucleares na Eslováquia, Sérvia e Hungria também terão sua eficiência afetada. Felizmente, a Hungria consegue colocar uma turbina de volta em operação na usina de Paks após uma leve elevação do nível do rio.
Conscientização climática e olhar para a Ásia
As condições secas preparam o terreno para incêndios florestais em vários países europeus, incluindo Itália, França, Sérvia e Bulgária. Na Alemanha, ativistas climáticos do movimento Fridays for Future protestam em frente à chancelaria exigindo medidas urgentes. Isso ocorre diante das estimativas do Instituto Robert Koch, que projeta cerca de 11.900 mortes relacionadas ao calor neste verão europeu. Especialistas destacam que esta crise é uma excelente oportunidade para acelerar o desenvolvimento de energias renováveis, como a eólica e a solar, que requerem significativamente menos água para gerar eletricidade.
Enquanto isso, no leste da Ásia, as comunidades também enfrentam o clima extremo com preparação. O tufão Dolphin atinge a costa da China com alerta vermelho, e o Japão se prepara para a chegada do tifão Chan-hom. Além disso, a temperatura superficial do mar Mediterrâneo chega a registrar impressionantes 33°C. Embora o clima global mostre sua força, a resiliência das populações e o avanço da ciência nos mantêm firmes no caminho para um futuro mais sustentável.