A corrida presidencial brasileira começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto de 2026, com Lula e Flávio Bolsonaro mobilizando suas bases em meio a investigações judiciais e uma disputa acirrada. Pesquisas apontam empate técnico: Lula tem 43% e Flávio 40%. A primeira volta está marcada para 4 de outubro.

A campanha presidencial no Brasil foi oficialmente lançada neste domingo, 16 de agosto de 2026, com os dois principais candidatos realizando grandes eventos em seus redutos históricos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, reuniu mais de 10.000 apoiadores no Estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, onde construiu sua carreira como líder sindical metalúrgico durante a ditadura militar (1964-1985). Já o senador Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, convocou milhares de eleitores na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Lula: nostalgia e defesa dos recursos nacionais

Lula, que busca seu quarto mandato não consecutivo, falou com tom nostálgico e reivindicou suas políticas. Usava um chapéu após um diagnóstico de câncer de pele. Ele insistiu que o Brasil precisa de mais de sua gestão e denunciou a interferência estrangeira, em referência às pressões dos Estados Unidos. “Ninguém (no exterior) vai explorar nossos minerais. Nós vamos explorá-los em benefício do povo brasileiro”, afirmou, aludindo às vastas reservas de minerais raros do país.

A primeira-dama, Rosângela da Silva, foi uma das principais oradoras e acompanhou Lula no evento. O mandatário prometeu lançar sua plataforma em até 10 dias, com ênfase em políticas para as mulheres, que representam quase 53% dos 158 milhões de eleitores habilitados.

Flávio Bolsonaro: tentando se diferenciar do pai

Flávio Bolsonaro, que busca estabelecer sua própria identidade, disse: “Sei que me pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho de Pelé com Pelé”. Ele prometeu combater o crime e eliminar a “ideologia” de esquerda das escolas. “Todo estudante tem o direito de sonhar em ser Elon Musk um dia”, disparou. O senador afirmou ter recebido 1.800 ameaças de morte, sem oferecer provas, e usava um colete à prova de balas.

Seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e em prisão domiciliar, não compareceu ao comício. Flávio foi designado pelo pai como candidato do Partido Liberal, mas sua campanha enfrentou dificuldades: partidos moderados mantêm distância, há uma disputa pública com a madrasta e problemas para encontrar um vice (finalmente escolheu o ex-procurador Alfredo Gaspar).

Investigações que mancham as campanhas

Ambos os candidatos estão sob a mira judicial. O Supremo Tribunal Federal autorizou três investigações por tráfico de influência contra Fábio Luís “Lulinha”, filho de Lula, de 51 anos e residente na Espanha. Investiga-se se ele intermediou ilegalmente junto a órgãos como o Ministério da Saúde e a estatal Dataprev. A defesa de Lulinha o declara inocente e fala em “interesses eleitorais”.

Por outro lado, o STF também deu sinal verde para investigar o financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro estrelada pelo ator americano Jim Caviezel. O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do falido Banco Master e atualmente preso, teria contribuído com cerca de 12 milhões de dólares para o filme, segundo revelou o The Intercept Brasil. Flávio Bolsonaro primeiro negou relação com Vorcaro, mas depois admitiu ter pedido fundos a ele, embora garantisse que não havia “intimidade” entre os dois.

Empate técnico e 13 candidatos

As pesquisas mostram uma disputa acirrada. Segundo levantamento da Globo, Lula tem 43% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 40%, um empate técnico. A rejeição é alta: 54% para Flávio e 52% para Lula. 70% dos eleitores já decidiram seu voto.

A Justiça Eleitoral habilitou 13 candidatos para o primeiro turno de 4 de outubro. Se ninguém ultrapassar 50%, haverá segundo turno em 25 de outubro. Entre os outros postulantes destacam-se o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), o rapper Renan Santos (Missão), o influenciador Pablo Marçal (PROLB) – que enfrenta uma inelegibilidade – e o escritor Augusto Cury, entre outros.

Argentina na mira

O presidente argentino Javier Milei compareceu à convenção do partido de Flávio Bolsonaro, mostrando seu apoio ao candidato opositor. Também o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e vários membros da administração Trump expressaram apoio a Bolsonaro. Lula, por sua vez, denunciou a interferência dos Estados Unidos, que aumentaram tarifas sobre exportações brasileiras e revogaram o visto do embaixador do Brasil em Washington.

A campanha se estenderá até outubro, com os anúncios de TV e rádio começando no final de agosto. A corrupção aparece como uma das principais preocupações dos eleitores, segundo pesquisas.